<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351</id><updated>2012-01-20T06:23:27.220-08:00</updated><category term='Peru'/><category term='Santiago'/><category term='Auckland'/><category term='Índia'/><category term='reportagem'/><category term='Kumbu Valley'/><category term='NZ'/><category term='D. Isabel Maria'/><category term='Himalaias'/><category term='Nepal'/><category term='subida ao Campo Base do Everest'/><category term='utente do Porto Palafita'/><category term='Cabo Verde'/><title type='text'>O mundo lê-se a viajar</title><subtitle type='html'>Raquel Ochoa em reportagem pelo mundo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-6503159144330936000</id><published>2012-01-13T06:10:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T07:01:43.774-08:00</updated><title type='text'>O Mistério das Pirâmides Bósnias</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0p1A97JBW-E/TxBEkyfif4I/AAAAAAAAAc8/PBP1FJx4k8o/s1600/B%25C3%25B3snia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697128927443713922" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-0p1A97JBW-E/TxBEkyfif4I/AAAAAAAAAc8/PBP1FJx4k8o/s320/B%25C3%25B3snia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-W_lA5ECx3Fk/TxBAj-tJuAI/AAAAAAAAAcw/cvJvXjxmRAg/s1600/B%25C3%25B3snia%2B124.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697124515495655426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-W_lA5ECx3Fk/TxBAj-tJuAI/AAAAAAAAAcw/cvJvXjxmRAg/s320/B%25C3%25B3snia%2B124.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;(English translation in a few days)&lt;br /&gt;Raquel Ochoa, em Visoko&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Temos de parar de agir como professores e passarmos a agir como alunos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que Sam Semir Osmanagich, fundador do Parque Arqueológico da Pirâmide do Sol da Bósnia, termina a entrevista.&lt;br /&gt;Será que, caso existissem indícios de estar incorrecta, grande parte da teoria publicada seria revista pela comunidade científica? Haveria abertura para a reformulação das conclusões?&lt;br /&gt;É isso que propõe Semir Osmanagich com a investigação das Pirâmides da Bósnia, as primeiras alguma vez encontradas na Europa, pois, segundo ele, o achado é tão fabuloso que obrigará a rever muitas das posições, rescrevendo a História. Confirmadas as suas suspeitas, estamos perante uma das construções humanas mais antigas jamais realizadas à face da terra.&lt;br /&gt;Assim que se atravessa a ponte acedendo à vila de Visoko, a 70 quilómetros de Sarajevo, vê-se um monte atapetado de verde e arborizado apenas numa das frentes.&lt;br /&gt;Saltam à vista os seus vértices alinhados e só o lado sul, segundo Richard Hoyle, colapsou, não se sabendo ao certo quando.&lt;br /&gt;Sara Acconci, arqueóloga italiana formada na Universid desli Studi di Milano e Richard Hoyle, geólogo inglês formado na Leads University já moram aqui há meses e neste momento lideram as operações de escavação.&lt;br /&gt;Ele reforça a sua certeza de estarmos perante construções piramidais:&lt;br /&gt;- Normalmente estão alinhadas pelos pontos cardiais. Nesta só há um erro de 2 segundos. As de Gizé têm pelo menos 12.&lt;br /&gt;A equipa não é maior pois as condições de trabalho são bastante difíceis. Richard apenas recebe alojamento. O que o faz permanecer é a paixão com que se entrega a este projecto. Quer ele, quer ela, quando interrogados sobre quanto tempo passarão em Visoko, nem três segundos demoram a responder:&lt;br /&gt;- O resto da minha vida.&lt;br /&gt;A dedicação é evidente mas a verdade é que Sara já recebeu emails dos seus professores deixando um claro aviso: “Caso persista neste projecto, quando voltar a Itália, jamais encontrará emprego”. A sua actuação, segundo eles, entrará no descrédito generalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ao momento, como refere a equipa que aqui trabalha, foram descobertas cinco pirâmides: a do Sol – a maior, a da Lua, a do Dragão, Terra (Mãe Natureza) e a do Amor. As escavações decorrem desde 2006 e desde esse ano recebem voluntários para aqui trabalharem no Verão.&lt;br /&gt;As pirâmides interessam a um número crescente de pessoas, e há quem ocorra ao local para meditar, grupos de observação de fenómenos sobrenaturais ou simplesmente curiosos.&lt;br /&gt;Sara diz que só acredita no que vê, que o seu trabalho se baseia em dados científicos embora compreenda o porquê das pessoas encontrarem neste local um local de “peregrinação”. Porém realça que estes visitantes desaparecem por completo no Inverno, quando só está por cá ela e poucos mais, dedicando-se sobretudo à escavação dos túneis.&lt;br /&gt;Quem não acredita de todo no trabalho desta equipa é o director do Museu de História de Visoko, Senad J. Hodovic. Foi ele quem convidou pela primeira vez Semir para visitar a vila, em 2005. Apressa-se a afirmar que não foi este quem descobriu os túneis, há muito que estavam descobertos. De facto, nos arredores há várias entradas para uma rede de túneis e até agora ninguém sabe a sua real extensão.&lt;br /&gt;Segundo ele, não é possível encontrar aqui muitos cientistas a operar porque se recusam a ser comprados. É totalmente céptico em relação aos trabalhos que decorrem, ali, a poucos quilómetros do museu.&lt;br /&gt;- Muito dinheiro foi investido e poucos resultados concretos. Não podem chamar pirâmides a algo que ainda não foi provado como tal. É contra isso que me insurjo.&lt;br /&gt;Há muito tempo que não volta às escavações, nem sabe precisar data.&lt;br /&gt;Essa é uma das acusações de Sara.&lt;br /&gt;- Desde 2006 que não vem cá ninguém do Governo Bósnio, nem da comunidade científica nacional. E já se descobriu tantos factos novos desde aí. Ninguém quer ver. Fazem questão de não ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Túneis extensos&lt;br /&gt;Ao longo dos túneis da maior pirâmide posicionam-se umas esculturas semelhantes a grandes rochas lavadas por águas correntes durante séculos. Aparentemente foram coladas uma à outra, formando blocos indivisíveis.&lt;br /&gt;Ainda não foi possível perceber quem as terá trazido para ali e como. A maior encontrada pesa cerca de 4 toneladas.&lt;br /&gt;Sabe-se que quando as retiraram dos locais onde se encontravam, a água começou a inundar todo o túnel, funcionando assim como uma espécie de “tampões” que controlam os canais fluviais subterrâneos, como explica Richard Hoyle. Na sua opinião, é verdadeira tecnologia o que se observa nestas esculturas, um conhecimento evoluidíssimo de como controlar os lençóis freáticos. Essa é aliás uma das teorias: as pirâmides teriam sido construídas para canalizar e controlar a água.&lt;br /&gt;Mas esse talvez não tenha sido o achado mais importante. Em 2007 achou-se um pedaço de madeira agarrado a uma destas esculturas. Foi enviado para a Universidade de Kiel na Alemanha e para a Universidade de Tecnologia em Gliwice na Polónia e os resultados dataram-no de 30 000 a 40 000 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As certezas científicas&lt;br /&gt;Afinal de contas, qual a base científica de tudo isto? Tratam-se ou não de pirâmides?&lt;br /&gt;Realizou-se em 2008 a Primeira Conferência Científica Internacional, reunindo uma equipa pluridisciplinar contando com 55 cientistas de diversos pontos do mundo. As conclusões foram peremptórias – Nabil Swelim, que descobriu quatro pirâmides no Egipto afirmou num relatório arqueológico que “ A pirâmide bósnia do Sol é a maior pirâmide do mundo”.&lt;br /&gt;Mede 220 metros, recorde-se que a Grande Pirâmide de Gizé media 146,6 metros – hoje mede 137.&lt;br /&gt;Ali Barakat, depois de uma visita de 42 dias concluiu que a mesma é desenhada e construída por mão humana e formada por blocos.&lt;br /&gt;Dessa conferência realçam-se outras conclusões. Oleg Khavroshkin, depois de dois anos de pesquisa com a sua equipa, percebeu que as pirâmides bósnias pela sua forma correspondem às pirâmides egípcias e uma equipa de geofísicos do Instituto Sérvio de Física, da Universidade de Belgrado, cujo líder é Dejan Vuckovic, concluiu que debaixo da terra há diversas anomalias que não podem ser explicadas pela acção da natureza. Estabeleceu-se a existência de paredes contínuas, blocos ajustados e muitas passagens circuláveis.&lt;br /&gt;O solo que cobre as pirâmides foi analisado pelo Instituto Federal de Agrapedologia e concluiu que estão soterradas há mais de 12 000 anos.&lt;br /&gt;Contrariamente ao que seria de esperar, o ar que se respira nos túneis é surpreendentemente fresco e limpo.&lt;br /&gt;Estes, a dado momento da história, foram fechados com material orgânico, por isso há dois mistérios para resolver: quem os construiu em primeiro lugar; quem os selou e porque motivo?&lt;br /&gt;Mistérios não faltam por aqui.&lt;br /&gt;O Instituto Parisiense de Geopolimias em 2007 fez a análise ao conglomerado encontrado, material de que são revestidos os túneis, e concluiu que é 5 vezes mais resistente que o melhor conglomerado que temos hoje em dia.&lt;br /&gt;O pedaço de madeira encontrado estava num vácuo entre as pedras e a areia. Desconfia-se que é do tempo em que a água inundou os túneis. Os arqueólogos que ali trabalham julgam que se se vier a confirmar este dado os túneis em si seriam mais antigos do que 32 000 anos, tornando num dos mais antigos oásis arqueológicos da Europa e do mundo.&lt;br /&gt;As pirâmides do Egipto não terão mais de 5000 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz das pirâmides&lt;br /&gt;Foi detectada a emissão de ultra-sons muito fortes no topo das pirâmides bem como do seu interior. Heikki Savolainen, engenheiro de som, está aqui durante uma semana a convite de Paollo Debeltolis professor doutorado em Antropologia/dentista/ médico e estudante de Direito que há algum tempo investiga este lugar. Paollo pediu ao seu amigo finlandês que viesse gravá-los e os analisasse posteriormente em estúdio.&lt;br /&gt;- “A voz das pirâmides” interessa-me de um ponto de vista médico. Os ultra-sons são importantes para as endorfinas. – esclarece Debeltolis.&lt;br /&gt;Cavkas, pássaros semelhantes a melros grandes mas que misturam tons de azul na sua cauda, pousam aqui e ali indiferentes à movimentação nos subterrâneos. Não devem entender o interesse pelo mundo do subsolo, nem se atrevem a espreitar.&lt;br /&gt;Já no topo da Pirâmide do Sol, toda a área é muito bonita e do ponto de vista turístico, só por si, encontra-se motivo mais que suficiente para uma visita. Silencioso, o monte é ponto de escuta de todos os sons provindos da região de Visoko. O comboio passa e apita, a auto-estrada ao longe movimenta pessoas com pressa, e um habitante local, por ser domingo, partilha alto demais a música com os vizinhos. Um casal que ali passeia, além da equipa de estudiosos, observa o horizonte com uma expressão intrigada. Apontam para a pirâmide da Lua que se desenha ali em frente.&lt;br /&gt;O topo do monte é um observatório, um gigante miradouro de 360º para uma paisagem de montes e neblinas entrecruzando-se.&lt;br /&gt;O exército bósnio durante a guerra controlou os túneis e o topo desta pirâmide. A pirâmide da Lua, por sua vez, está minada, as escavações só podem prosseguir numa pequena zona.&lt;br /&gt;Mas não é a única dificuldade que a equipa enfrenta. O homem que há uns anos comprou o Plateau da pirâmide do Sol por 8000 euros– é como chamam à plataforma que dá acesso ao topo da montanha e que é feito de enormes blocos sobrepondo-se - só o vende agora por 1 milhão.&lt;br /&gt;Devido às obras numa moradia ali situada, foram desviados alguns blocos e podem observar-se num amontoado. São enormes. Esta forma de construção de pirâmides é totalmente desconhecida. O plateau é uma espécie de terraço que dá acesso a um dos lados da construção, suavizando a subida até ao topo. Esta seria uma das primeiras áreas a escavar, caso não estivessem impedidos.&lt;br /&gt;A Fundação sem fins lucrativos dirigida por Semir Osmanagich é quem detém o monopólio da exploração deste parque arqueológico. Foi criada com o intuito de o proteger e de o desenterrar das entranhas da terra.&lt;br /&gt;O director do Museu de História Senad J. Hodovic é de opinião contrária. Acredita que a fundação é uma forma de captar em exclusivo todos os fundos, por isso uma forma muito sagaz de ganhar dinheiro.&lt;br /&gt;- Com os recursos já investidos, já deviam existir certezas muito mais concretas do que as apresentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pirâmide da Lua&lt;br /&gt;No dia seguinte, ao pequeno almoço, Sara entrega a Richard um saco de plástico dentro de outro cheio de pequenas pedras.&lt;br /&gt;Crê serem peças de cerâmica e moedas. Ele olha e não parece muito convencido.&lt;br /&gt;- São as moedas mais antigas alguma vez encontradas – diz-lhe a arqueóloga. Gracejam. Não se entende se estão a falar a sério ou a brincar.&lt;br /&gt;Richard não se inibe. Pega naquilo que parece ser uma pedra redonda e coloca em cima da mesa com estrondo.&lt;br /&gt;- Pago eu os cafés, então.&lt;br /&gt;A cidade tem bastante gente e é preenchida por casas de dois andares com telhados bem vermelhos. As crianças vão para a escola como em qualquer outra parte do mundo.&lt;br /&gt;É hora de visitar a pirâmide da Lua e aqui as evidências são um pouco mais perturbadoras.&lt;br /&gt;Em plena guerra da ex-Jugoslávia, o proprietário da base da pirâmide, que hoje apenas usa aquela casa para passar o fim-de-semana, encontra-se isolada num monte, decidiu escavar um buraco para encontrar água. Deu com um primeiro nível de pedras posicionadas em forma pavimento. Depois um segundo. E um terceiro, quarto, quinto, sexto… São visíveis mais de quinze níveis de pavimentos justapostos, ao longo de dois metros, e o que está escavado será apenas metade da base da pirâmide, pelas medições já feitas por aparelhos.&lt;br /&gt;Richard não tem dúvidas que se trata de uma construção e não de uma maravilha geológica.&lt;br /&gt;De qualquer modo, deixa escapar a sua crítica. Mesmo que se tratasse de um fenómeno geológico, estaríamos a falar de uma autêntica maravilha, algo que devia ser estudado.&lt;br /&gt;Olha à sua volta e acrescenta.&lt;br /&gt;- Porque é que sou o único geólogo aqui neste momento?&lt;br /&gt;A descida para a vila faz-se com o pôr-do-sol. Os montes ondulados sintonizam-se com a bruma e a cor arroxeada.&lt;br /&gt;Heikki pede uma paragem ao condutor do jipe para fotografar vários aspectos da bela paisagem. Volta ao carro e coloca os cotovelos no encosto banco observando a vastidão enquanto suspira.&lt;br /&gt;- Agora sinto-me como o Papa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697120526832979698" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-XSHYRn52Gcw/TxA87zx3TvI/AAAAAAAAAck/6dQlkmWU90k/s320/B%25C3%25B3snia%2B187.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UO9yuba3V5s/TxA8YyW6aAI/AAAAAAAAAcY/87j0F0bglSY/s1600/B%25C3%25B3snia%2B147.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697119925156079618" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-UO9yuba3V5s/TxA8YyW6aAI/AAAAAAAAAcY/87j0F0bglSY/s320/B%25C3%25B3snia%2B147.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-6503159144330936000?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/6503159144330936000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2012/01/o-misterio-das-piramides-bosnias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6503159144330936000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6503159144330936000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2012/01/o-misterio-das-piramides-bosnias.html' title='O Mistério das Pirâmides Bósnias'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0p1A97JBW-E/TxBEkyfif4I/AAAAAAAAAc8/PBP1FJx4k8o/s72-c/B%25C3%25B3snia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-4556504038085281986</id><published>2012-01-09T01:48:00.000-08:00</published><updated>2012-01-09T02:33:19.933-08:00</updated><title type='text'>ÍNDIA 2012</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-R-gE8vY9oiE/Twq_5bdSwLI/AAAAAAAAAb8/z-wW7PHPBNc/s1600/Goa%2Be%2BDelhi%2BNov2011%2B103.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695575672107483314" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-R-gE8vY9oiE/Twq_5bdSwLI/AAAAAAAAAb8/z-wW7PHPBNc/s320/Goa%2Be%2BDelhi%2BNov2011%2B103.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vBxEr-0N8ZY/Twq_5JkkeqI/AAAAAAAAAb0/99POdIUQDr8/s1600/Bik%252CPuskar%2B079.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695575667306166946" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-vBxEr-0N8ZY/Twq_5JkkeqI/AAAAAAAAAb0/99POdIUQDr8/s320/Bik%252CPuskar%2B079.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BzNhCpb1m9E/Twq6HMS-fMI/AAAAAAAAAbo/7nuvfPPEMqM/s1600/Bik%252CPuskar%2B016.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Conheço a Índia há 10 anos.&lt;br /&gt;De 2001 para 2011 noto a Índia bem diferente (como se isto fosse um país homogéneo e não uma aglomeração de 26 países, portanto Estados, diferentes) na sua sempre surpreendente condição.&lt;br /&gt;A classe média cresceu, há tantos carros que não andavam por aqui da última vez (2007). A classe pobre também.&lt;br /&gt;Como há imensos novos milhões de pessoas, o trânsito já roça a guerra , o som das buzinas é constante, metódico, desagradável, invasivo. Habituamo-nos claro, tolera-se, mas estas estradas sem sinais de trânsito (não é uma hipérbole) são dominadas por quem apita mais, mais alto e ininterruptamente.&lt;br /&gt;A pobreza é cada vez mais chocante, sobretudo nas grandes cidades, mas é-o em todo o lado, pois o que eram cidades pequenas há uns anos, tornaram-se aglomerados assustadores neste momento. Crianças libertam as suas fezes doentes na linha, antes que o comboio chegue. Pessoas com cotos em vez de braços ou pernas, calcinados de tão negros.&lt;br /&gt;Nos subúrbios de Delhi vêm-se burros cabisbaixos a carregarem esterco de latrinas que é necessário desentupir e mulheres a guiarem-nos pela linha férrea, tão desesperançadas quanto os animais. Vêm-se crianças com irmãos bebés ao colo, a recolherem comida no meio das lixeiras, como se fosse uma horta ou um pomar. As lixeiras estão em todo o lado para onde quer que se olhe. Não há recolha de lixo organizado em praticamente nenhum estado. Cada rua varre o seu e lança-lhe o fogo ao raiar do dia. Junte-se-lhe a poluição constante dos escapes.&lt;br /&gt;Tudo isto convive, em Delhi, Bombaim e outras grandes cidades, com centros comerciais parolos, ainda mais parolos que os nossos, onde os preços das etiquetas aparecem em euros e dólares e são os que se praticam na Europa e Estados Unidos. O poder económico e o poder de compra anda lado a lado com os milhares de cães sarnentos e maltratados, mais os ratos que se vêm nas cozinhas dos “hotéis”, nas ruas, nas estações de comboio.&lt;br /&gt;Tudo isto é uma experiência visceral, de constante auto-superação. É imperioso para um estrangeiro fazer um esforço para não ver, para não sentir, mecanismo de defesa essencial, mas para evitar o contacto visual com um deficiente que parece uma aranha, não um homem, tal a deformação do seus membros, olha para o lado e tem uma garota a agarrar-lhe o braço pedindo esmola para um irmão que tem um olho de fora. É cega, pede para ele e para ela.&lt;br /&gt;Assim sendo, porque é que se vem à Índia?&lt;br /&gt;Porque há tanta gente a gostar disto afinal?&lt;br /&gt;Não gostam. Não é essa a palavra.&lt;br /&gt;Não reconheço a Índia que vi em 2007, e muito menos em 2002 e 2001.&lt;br /&gt;Tudo muda.&lt;br /&gt;Mas há nesta viagem, e sempre haverá, uma experimentação do lado mais humano da vida, porque tudo à nossa volta é sobrevivência, luta e coragem.&lt;br /&gt;A criatividade é sem limites, pois convive-se segundo a segundo com o insólito, o inusitado.&lt;br /&gt;Escolher a Índia rural, ir para o sul, ou o Norte de montanhas pode ser a melhor ideia para escapar (que significa ver menos) a este bombardeamento de condições dificílimas de vida.&lt;br /&gt;Mas a Índia real é a Índia que mostra quase tudo. Tudo o que se queira ver. Tudo o que tenhamos coragem para ver.&lt;br /&gt;E no final, não sei porquê, o coração começa a bater com mais força.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695569311486082242" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-BzNhCpb1m9E/Twq6HMS-fMI/AAAAAAAAAbo/7nuvfPPEMqM/s320/Bik%252CPuskar%2B016.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Of7uPgPi9WM/Twq6G2cY5SI/AAAAAAAAAbc/MSZu8yZl8Dg/s1600/Bik%252CPuskar%2B017.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695569305619981602" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-Of7uPgPi9WM/Twq6G2cY5SI/AAAAAAAAAbc/MSZu8yZl8Dg/s320/Bik%252CPuskar%2B017.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-4556504038085281986?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/4556504038085281986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2012/01/india-2012.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/4556504038085281986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/4556504038085281986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2012/01/india-2012.html' title='ÍNDIA 2012'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-R-gE8vY9oiE/Twq_5bdSwLI/AAAAAAAAAb8/z-wW7PHPBNc/s72-c/Goa%2Be%2BDelhi%2BNov2011%2B103.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-6737124543922535805</id><published>2011-10-28T21:38:00.000-07:00</published><updated>2011-10-28T21:45:28.766-07:00</updated><title type='text'>Auckland - NZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZxYYpnwyq7A/TquE3Sl3X_I/AAAAAAAAAas/snn9xFZQvYs/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B113.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZxYYpnwyq7A/TquE3Sl3X_I/AAAAAAAAAas/snn9xFZQvYs/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B113.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668770641394229234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-s5sS_WHeC7c/TquE3Vk2wNI/AAAAAAAAAag/HiP8XcnuZZw/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B076.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-s5sS_WHeC7c/TquE3Vk2wNI/AAAAAAAAAag/HiP8XcnuZZw/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B076.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668770642195300562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com 12 horas adiantadas, algumas das primeiras imagens num dia que o mundo se manifesta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-6737124543922535805?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/6737124543922535805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/10/auckland-nz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6737124543922535805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6737124543922535805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/10/auckland-nz.html' title='Auckland - NZ'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ZxYYpnwyq7A/TquE3Sl3X_I/AAAAAAAAAas/snn9xFZQvYs/s72-c/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B113.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-7659433239048419160</id><published>2011-10-28T21:29:00.000-07:00</published><updated>2011-10-28T21:38:09.226-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Auckland'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='NZ'/><title type='text'>OCTOBER 29 – #ROBINHOOD GLOBAL MARCH - Auckland</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Ypo1Bw47iHg/TquCbVYvsiI/AAAAAAAAAZk/QISIZxJs7cY/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B054.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Ypo1Bw47iHg/TquCbVYvsiI/AAAAAAAAAZk/QISIZxJs7cY/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B054.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668767962084913698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ysfMTBCAOlY/TquCbV5K4kI/AAAAAAAAAZY/b_6PwHbxCII/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B095.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-ysfMTBCAOlY/TquCbV5K4kI/AAAAAAAAAZY/b_6PwHbxCII/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B095.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668767962220913218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1pRGq4TmNe4/TquCaBnBh9I/AAAAAAAAAZQ/rAnmp7fdQIw/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B077.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-1pRGq4TmNe4/TquCaBnBh9I/AAAAAAAAAZQ/rAnmp7fdQIw/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B077.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668767939596224466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-xCgVaN5Sp5A/TquCZ2ci0vI/AAAAAAAAAZA/pTEhPalOE7c/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B041.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-xCgVaN5Sp5A/TquCZ2ci0vI/AAAAAAAAAZA/pTEhPalOE7c/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B041.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668767936599479026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-tMhncWg4SgA/TquCZleuKfI/AAAAAAAAAY0/ZEgw-8jwVN4/s1600/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B040.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-tMhncWg4SgA/TquCZleuKfI/AAAAAAAAAY0/ZEgw-8jwVN4/s400/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B040.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668767932045208050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-7659433239048419160?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/7659433239048419160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/10/october-29-robinhood-global-march.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7659433239048419160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7659433239048419160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/10/october-29-robinhood-global-march.html' title='OCTOBER 29 – #ROBINHOOD GLOBAL MARCH - Auckland'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Ypo1Bw47iHg/TquCbVYvsiI/AAAAAAAAAZk/QISIZxJs7cY/s72-c/Occupy%2BAuckland%252C%2B99%2525%2B054.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-3224565812256905411</id><published>2011-05-24T15:49:00.000-07:00</published><updated>2011-05-25T05:36:51.239-07:00</updated><title type='text'>Marvão - A Grande Muralha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-7ejWrp-zowE/TdzRKEF8czI/AAAAAAAAAWw/FZeFmGik0Lo/s1600/DSC01687.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-7ejWrp-zowE/TdzRKEF8czI/AAAAAAAAAWw/FZeFmGik0Lo/s400/DSC01687.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610589206624367410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-nngQUEoknKY/TdzQ9hX3O_I/AAAAAAAAAWo/AXkvYTKPfXc/s1600/DSC01502.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-nngQUEoknKY/TdzQ9hX3O_I/AAAAAAAAAWo/AXkvYTKPfXc/s400/DSC01502.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610588991145851890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sem suspeita do mais leve desentendimento, Luís olha para Joana e anuncia o porquê destes dias no Marvão:&lt;br /&gt;- Há cinco anos foi aqui que a pedi em casamento. Aceitou. Agora todos os anos voltamos, tem de ser…&lt;br /&gt;Joana tem atrás de si uma muralha que se vincula teimosamente ao horizonte. E campos a perder de vista preenchidos de Alentejo, Espanha e Beira Baixa. Daqui, Portugal inteiro parece caber nos olhos de quem os abra. &lt;br /&gt;Joana e Luís acreditam que neste lugar celebram as coisas boas da sua relação e são muitos os turistas que já descobriram este segredo em forma de burgo amuralhado, revisitando-o como um ritual.&lt;br /&gt;Discreto como um décimo quinto andar, é talvez o melhor duplex do país.&lt;br /&gt;Para lá chegar é normal que se passe pelo belíssimo triângulo Portalegre - Castelo de Vide – Marvão, deixando este último para o final, à moda das bodas de Caná.&lt;br /&gt;Depois da estrada encurralada em freixos, todos pintados com uma larga faixa branca – imagem já capturada para a publicidade a um automóvel dado o seu impacto - a subida começa a prometer vistas largas e um povo resguardado.&lt;br /&gt;Quem primeiro se lembrou de aproveitar a melhor torre de vigia das redondezas, fortificá-lo e ali constituir família, descendência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem. Ibn Maruán, nobre estirpe emeritense, notabilizado devido à luta contra o Emirato de Córdova no último quartel do séc. IX.&lt;br /&gt;A verdade é que o monte de tão fortificado pela imaginação da natureza, quer pela sua altitude – 849,5 metros no seu ponto mais alto, quer pela sua extensa crista quartzítica – a Serra do Sapoio é escarpada e de forte declive em toda a sua extensão Sudoeste, serviu de refúgio quase invencível  aos seus ocupantes. O valor geoestratégico foi confirmado pelos cristãos a 1226, quando concedido o foral no reinado de D. Sancho II.&lt;br /&gt;Repercutiu-se ao longo dos tempos, quase mil anos depois de Ibn Maruán, aquando das invasões francesas, escrevia-se nos relatórios que “se apresenta como a chave da porção de fronteira a proteger contra um inimigo que estivesse estacionado em Valência de Alcântara”.&lt;br /&gt;Deduz-se a dificuldade em povoar o lugar, não seria grande o apelo a viver em cima de uma fraga sem água nem terra disponível para cultivar.&lt;br /&gt;Através de vários incentivos, no séc. XVI a vila atinge a maior ocupação demográfica, decaindo a partir daí até aos dias de hoje, quando só se contabilizam 100 pessoas a viver intramuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos mas bons, a população reparte os esforços para manter a cidade viva e dinâmica no acolhimento aos turistas, inovadores nas actividades culturais que oferecem aos membros do concelho. &lt;br /&gt;O GAD e o Fundo de Apoio à Empresa, espera que os jovens proponham projectos que valorizem a economia da região, permitindo que se fixem na terra.  A verdade é que há um grande número de hectares de terreno em regadio à espera de ser cultivado.&lt;br /&gt;Como afirma José Manuel Ramilo, vereador da Câmara do Marvão.&lt;br /&gt;“A terra, que é um bem escasso no país, está disponível no Marvão. Só dentro da muralha há 17 restaurantes, só com a restauração local podíamos consumir a quantidade de produtos que a nossa terra tem capacidade para dar ”.&lt;br /&gt;Os filhos da terra muitas vezes regressam para aqui desenvolver os seus projectos, ou então mantém uma ligação forte como Nuno Vaz da Silva que trabalha na Caixa Geral de Depósitos em Lisboa, mas não deixa os créditos da sua terra natal por mãos alheias: “ Não podemos estar à espera de que as outras pessoas se lembrem de nós, é preciso fazer qualquer coisa para isso”.&lt;br /&gt;Tiago Gaio, que trabalhou para o Oeinerge até 2007, onde desenvolveu o projecto pioneiro de recolha de óleo para reciclagem, voltou para o Marvão onde trabalha na área de eficiência energética na iluminação pública. Aqui implementou-se o melhor sistema de reciclagem do país. “Segundo dados estatísticos – afirma – Marvão e Vila de Rei são os municípios que mais reciclam os seus resíduos”.&lt;br /&gt;O grupo de vinte homens que joga à malha num campeonato local tem poucas preocupações deste género. O alvo é abatido muitas vezes para gáudio dos mais expressivos. O segredo, dizem os entendidos, está na confiança com que se atira o disco.&lt;br /&gt;Saberão eles que o site trypadvisor referenciou Marvão como um dos dez segredos mais bem guardados do mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançando um olhar nas aldeias e terrenos em volta, reconhece-se a presença de imensas árvores autóctones portuguesas. Estamos num Alentejo de carvalhos, castanheiros, choupos, e muitas outras que aqui encontram o clima certo.&lt;br /&gt;Na escuridão da madrugada, Marvão parece lava a derramar sobre o monte, ou caramelo a escorrer sobre o chocolate negro e indistinto da noite.&lt;br /&gt;À noite ganha um estatuto teatral, como um ser imaginário, uma criatura extensa e planadora, um invasor extraterrestre.&lt;br /&gt;Pede uma visita insistentemente. &lt;br /&gt;A aprovação da candidatura a património mundial da Unesco é um acontecimento há demasiado tempo pendente. Se tal acontecesse amanhã já não seria cedo.&lt;br /&gt;O castelo foi recuperado e toda a vila apresenta um esmero digno de dia de festa prolongada ao longo de 365 dias por ano.&lt;br /&gt;Cairá algum dia na mão de outro povo que não os portugueses? Resistirá? É pouco provável, mas conseguirá o Marvão resistir ao abandono caso deixe de existir quem o cuide? E se a solidão for o seu último e desleixado ocupante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maio 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-3224565812256905411?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/3224565812256905411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/05/marvao-grande-muralha-sem-suspeita-do.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3224565812256905411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3224565812256905411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/05/marvao-grande-muralha-sem-suspeita-do.html' title='Marvão - A Grande Muralha'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-7ejWrp-zowE/TdzRKEF8czI/AAAAAAAAAWw/FZeFmGik0Lo/s72-c/DSC01687.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-1265493662856946217</id><published>2011-04-10T06:05:00.001-07:00</published><updated>2011-04-11T04:54:25.608-07:00</updated><title type='text'>Ilha da Madeira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xNx6RA5h9vg/TaGs0QBd5-I/AAAAAAAAAV4/IrE6JBjFUS8/s1600/Madeira%2B2011%2B058.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593942225825163234" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-xNx6RA5h9vg/TaGs0QBd5-I/AAAAAAAAAV4/IrE6JBjFUS8/s400/Madeira%2B2011%2B058.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RYrpKYq6Sa0/TaGsm12xe8I/AAAAAAAAAVw/5kSe7vAMgo0/s1600/Madeira%2B2011%2B031.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593941995462687682" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-RYrpKYq6Sa0/TaGsm12xe8I/AAAAAAAAAVw/5kSe7vAMgo0/s400/Madeira%2B2011%2B031.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-sedqI3riztY/TaGsdLEMsBI/AAAAAAAAAVo/F0RXahnC9a8/s1600/Madeira%2B2011%2B010.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593941829357449234" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-sedqI3riztY/TaGsdLEMsBI/AAAAAAAAAVo/F0RXahnC9a8/s400/Madeira%2B2011%2B010.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Enfrento a Madeira, porque as suas escarpas não se percorrem nem dominam, torneiam-se. A costa norte é clivosa, tão inclinada como o inferno, tão bela como a floresta que resiste aos aluviões. Dei comigo no Jardim do Mar, localidade encantada, com uma calçada minuciosa e povoada de ar puro. Gente que vai às lapas antes do almoço. É aqui, logo abaixo, que encontro um dos maiores disparates da Madeira. Ao longo da orla do Jardim do Mar houve uma intervenção absurda que revolta os locais e todos os de bom senso. Construíram uma promenade, como aqui lhe chamam, um passeio pedestre ao longo do mar. Nada teria de mal, nada teria de ilógico, se não tivesse acabado, praticamente, com uma das melhores ondas da ilha, como corria a fama “ O Havai da Europa”. A verdade é que o turismo que movimenta os praticantes desta modalidade é uma fonte de desenvolvimento para as localidades, ainda por cima, identificado com o bem-estar ecológico. A onda já não existe e a promenade está vazia. Quem lucrou com isto? Como diria Aristóteles: só existe um bem, o conhecimento; só existe um mal, a ignorância. Subo ao lindíssimo edifício Casa das Mudas, do arquitecto Paulo David; exemplo do que a engenharia bem garantida pela boa arquitectura consegue enriquecer e projectar a paisagem. Dali entro nas mil curvas e curvetas dos montes pela estrada regional até chegar a Porto Moniz. A costa Norte é desafiante. Mais à frente, o Seixal mostra as suas águas límpidas, o fundo não é um segredo. As altas encostas devem ser vaidosas porque espreitam o espelho do mar, continuamente se inclinam sobre o seu reflexo. Túneis furam as serras com claustrofobia dentro. Levam-nos de um lado ao outro da ilha, quase. Há momentos em que o túnel se evapora e reaparece a luz do dia. É o vale. Reentra-se de novo nos subterrâneos, abandonando-se momentaneamente a condição sublunar, até que a luz se abra de novo e tal como Zarco e Tristão, suspire-se: “Terra à vista”. &lt;strong&gt;Aviso à navegação &lt;/strong&gt;No Funchal há um grito que arrepia, o eco do apito dos barcos. São estes pavilhões flutuantes que animam a economia da ilha, nesta fase em que os aviões que aqui pousam estão em decréscimo. O apito dos enormes barcos ressoa pela cidade em ronco gutural que o anfiteatro devolve ao mesmo tempo que todos os sons da cidade são engolidos. Uma das primeiras vezes que ouvi este som encontrava-me numa livraria impressionante. Dizem que o seu dono tem o anseio de ter a maior livraria o mundo. O nome é concordante – Livraria Esperança. Ao contrário do habitual posicionamento dos livros, alinhados por lombadas, aqui estão dispostos com a capa de frente para os leitores em estantes sucessivas forradas centímetro a centímetro. Mesmo nas estantes de lado podem observar-se, pois cada livro é pendurado com um gancho. Há-os no tecto. Há-os no chão, em janelas a serem comidos pelo sol enquanto vêem as vistas. Cada um fala mais alto que o outro, mesmo que nenhum levante mais o tom do que um sussurro. Quis ler tudo ao mesmo tempo, peguei em mais de 40 exemplares, à vez. Inúmeros autores desconhecidos, centenas de autores amados e revisitados. Milhares de autores perdidos. O primeiro que agarrei foi uma encomenda de um colaborador do Jornal de Letras que só aqui conseguiu encontrar um exemplar. Comprei ainda Eusébio Macário, de Camilo Castelo Banco, Perto do Coração Selvagem de Clarice Lispector, Histórias do Bom Deus de Rainer Maria Rilke e uma edição recente, chancela Quetzal, A Anatomia da Errância, do meu herói Bruce Chatwin. No Jardim Botânico fingi que o Funchal era a minha cosmopolita quinta florida. Entretenho-me com a escolha de qual começar primeiro enquanto as quentes pedras de basalto onde me sentava recarregavam a energia. &lt;strong&gt;Considerações de aeroporto &lt;/strong&gt;Levo na mala um festival literário e uma série de amigos recentes. São notáveis estes madeirenses que conheci. Em todos encontrei essa necessidade de não me deixarem partir sem perceber o que tem afinal esta ilha de magnético. A poncha é boa é certo (uma perdição), as montanhas imponentes, tudo bem, as Levadas são experiências inesquecíveis, o mar é sincero e o Funchal um teatro que representa bem a peça. Mas o que a Madeira tem que me fará cá voltar é a enorme vontade com que esconde os seus segredos. O truque deste impressionante mundo atlântico é ir e estar nos sítios certos, com pessoas que tenham vontade de ser continentes e não ilhéus. Tive essa sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-1265493662856946217?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/1265493662856946217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/04/ilha-da-madeira.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1265493662856946217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1265493662856946217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/04/ilha-da-madeira.html' title='Ilha da Madeira'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-xNx6RA5h9vg/TaGs0QBd5-I/AAAAAAAAAV4/IrE6JBjFUS8/s72-c/Madeira%2B2011%2B058.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-3543479611170758287</id><published>2011-04-02T06:37:00.000-07:00</published><updated>2011-04-02T06:51:22.026-07:00</updated><title type='text'>Ilhas, Aviões e Livros</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-dg-DHk4I9DI/TZcpwqULUCI/AAAAAAAAAVY/zu6BWeboRfI/s1600/logoflm.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 389px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590983378373136418" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-dg-DHk4I9DI/TZcpwqULUCI/AAAAAAAAAVY/zu6BWeboRfI/s400/logoflm.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;FESTIVAL LITERÁRIO DA MADEIRA&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqui me encontro, a convite da Booktailors e Nova Delphi. Apetece-me estabelecer um paralelo entre ilhas, aviões e livros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como a praia nos desnuda a todos, assim pode funcionar um livro. O sabor dos livros não é aparência e os livros têm o sabor da existência...quantas vezes!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O livro que leio, é um avião que me coloca numa ilha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este é um encontro de escritores e leitores que não têm medo do vôo, muito menos de demonstrarem a sua insularidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ilhas são locais de nuvens com apetrechos tão úteis como a solidão. Os livros são a nossa sorte. São as montanhas de 1862 metros prontos a crescer um pouco mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Possam as ilhas ser aviões, e os livros objectos voadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Obrigada à organização por nos permitirem a nós e aos madeirenses participar neste pequeno foguetão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-3543479611170758287?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/3543479611170758287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/04/ilhas-avioes-e-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3543479611170758287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3543479611170758287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2011/04/ilhas-avioes-e-livros.html' title='Ilhas, Aviões e Livros'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-dg-DHk4I9DI/TZcpwqULUCI/AAAAAAAAAVY/zu6BWeboRfI/s72-c/logoflm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-4949620044951239322</id><published>2010-07-28T03:48:00.001-07:00</published><updated>2010-07-28T04:05:52.937-07:00</updated><title type='text'>Açores - à deriva pelo oceano</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAPB3W6IiI/AAAAAAAAAUM/Ns_-3hW-fos/s1600/A%C3%A7ores+2010+039.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498911669733696034" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAPB3W6IiI/AAAAAAAAAUM/Ns_-3hW-fos/s400/A%C3%A7ores+2010+039.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;São famosas as quatro estações num só dia, mas a fama não é correcta, numa só hora navega-se de um esplendoroso dia de primavera para um carregado dia de Outono, que se alivia com chuva forte mas rápida e dá lugar ao sol que enxuga as ilhas.&lt;br /&gt;Há locais que estão tão impregnados em magia que ao viajar de novo para casa paira a ideia de se ter vivido a realidade de um sonho e não umas férias inesquecíveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-4949620044951239322?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/4949620044951239322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/acores-deriva-pelo-oceano.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/4949620044951239322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/4949620044951239322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/acores-deriva-pelo-oceano.html' title='Açores - à deriva pelo oceano'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAPB3W6IiI/AAAAAAAAAUM/Ns_-3hW-fos/s72-c/A%C3%A7ores+2010+039.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-2776260734926793438</id><published>2010-07-28T03:22:00.000-07:00</published><updated>2010-08-01T04:36:32.322-07:00</updated><title type='text'>Terceira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAGhF1EaWI/AAAAAAAAAUE/wlB-n3w00es/s1600/AÃ§ores+2010+207.jpg"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Terceira&lt;br /&gt;Nas paisagens bucólicas recortadas pelas hortênsias do seu interior escondem-se segredos como o Algar do Carvão. É uma gruta escavada pela lava a uma profundidade impressionante que proporciona a experiência de passagem do mundo da luz - cheia de exuberância vegetal - às trevas, com uma acústica que pede canto gregoriano, quase o ouvimos. No fundo um grande lago que estremece as entranhas da terra. É passear nos intestinos de um vulcão em actividade, agora fóssil.&lt;br /&gt;Angra do Heroísmo é uma cidade que apetece percorrer a pé, com um jardim maravilhoso e cheia de gente descontraída e simpática. Nota comum em todos os açorianos. Traços de personalidade que marcam tanto o sentir das ilhas como o mar, a geografia ou as brumas.&lt;br /&gt;O Monte Brasil é uma pequena península que avança pelo mar carregada de floresta onde se encontra a imperdível Vigia da Baleia, um miradouro branco, com uma casinha que protege do sol quem ali vá. À sua frente o mar cristalino e azul, e com sorte a emoção de avistar cetáceos brincalhões ou pesados.&lt;br /&gt;Há mais, toda a costa sudoeste é bonita e se decorrerem as festas de Verão, não perder a tourada de corda, única no país, a única que não choca os defensores dos direitos dos animais – touro e homem, mano a mano – apenas uma corda limita o bicho de não correr mais do que uma certa extensão. Em Porto Judeu por exemplo, O resultado é hilariante. O touro chega a parecer aqueles cães que correm por tudo e por nada à caça de uma bola. Por vezes acerta-lhe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAGVbBxT5I/AAAAAAAAAT8/38wL6lsMliQ/s1600/AÃ§ores+2010+166.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498902110121578386" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAGVbBxT5I/AAAAAAAAAT8/38wL6lsMliQ/s400/A%C3%A7ores+2010+166.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-2776260734926793438?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/2776260734926793438/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/terceira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/2776260734926793438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/2776260734926793438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/terceira.html' title='Terceira'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAGVbBxT5I/AAAAAAAAAT8/38wL6lsMliQ/s72-c/A%C3%A7ores+2010+166.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-1136191953151205305</id><published>2010-07-28T03:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-28T03:51:24.563-07:00</updated><title type='text'>S. Miguel</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAE24cR18I/AAAAAAAAAT0/2i2icsZeR6s/s1600/AÃ§ores+2010+133.jpg"&gt;S. Miguel&lt;br /&gt;A maior ilha e onde a comunicação pode ser mais difícil. O sotaque é mais cerrado que em qualquer outro local, mas é uma questão de treino. São precisos alguns dias para percorrê-la toda. É um verdadeiro parque de diversões para amantes da natureza, tem tantas atracções que é necessário fazer uma lista.&lt;br /&gt;A não perder: A Lagoa do Fogo, de arrepiar de tanta beleza; a Lagoa das Sete Cidades; as Furnas e os seus banhos em D. Beija, águas quentes brindadas pela montanha; Ferraria, na costa norte, banhos quentes/escaldantes em pleno oceano Atlântico – só entrando naquela água se acredita; o ilhéu de Vila Franca, um enorme rochedo oco, lá dentro esconde uma praia paradisíaca; a Caldeira Velha, a praia de Santa Bárbara, o Nordeste da ilha, etc, etc.&lt;br /&gt;Na ilha de S. Miguel começamos a pactuar daquilo que é a surrealidade dos Açores, experiências de beleza tão fortes que mais facilmente associamos ao reino da fantasia do que à paisagem de uma ilha a navegar no oceano.&lt;br /&gt;Caso não se frequente muito Ponta Delgada, uma cidade muito bonita porém, a capacidade que as ilhas têm de resgatar o tempo aos seus contornos apressados começa a fazer-se sentir. Os nevoeiros que aparecem e desaparecem retiram ao transeunte as pressas, aqui a instabilidade climatérica cria uma certa estabilidade emocional: não existem preocupações quando todos os impulsos têm uma única vontade – apreciar.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498900485929818050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAE24cR18I/AAAAAAAAAT0/2i2icsZeR6s/s400/A%C3%A7ores+2010+133.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAEp39hJoI/AAAAAAAAATs/X36wAQpt354/s1600/AÃ§ores+2010+113.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498900262462498434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAEp39hJoI/AAAAAAAAATs/X36wAQpt354/s400/A%C3%A7ores+2010+113.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAEap5P-tI/AAAAAAAAATk/9I9vdPiojD4/s1600/AÃ§ores+2010+055.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498900000988461778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAEap5P-tI/AAAAAAAAATk/9I9vdPiojD4/s400/A%C3%A7ores+2010+055.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-1136191953151205305?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/1136191953151205305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/s-miguel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1136191953151205305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1136191953151205305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/s-miguel.html' title='S. Miguel'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFAE24cR18I/AAAAAAAAAT0/2i2icsZeR6s/s72-c/A%C3%A7ores+2010+133.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-7042433897563215122</id><published>2010-07-28T03:14:00.000-07:00</published><updated>2010-07-28T03:49:25.964-07:00</updated><title type='text'>Ilha das Flores</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFADdeJbFzI/AAAAAAAAATc/r1hy3SJ2xy4/s1600/AÃ§ores+2010+198.jpg"&gt;Ilha das Flores&lt;br /&gt;Chegando às Flores mudamos o vocabulário. Mudámos de placa continental, já estamos na americana, é uma terra imune aos terramotos. D. Gracinda, há dez anos, mudou-se do Faial para aqui pois não aguentava mais nenhum tremor de terra. O marido não quis, mas ela não hesitou.&lt;br /&gt;“Ele vem cá e eu vou lá quando se pode, mas não aguentava ter de reconstruir novamente a minha casa. Aqui nas Flores estou sossegada.”&lt;br /&gt;Talvez a ilha mais selvagem das nove, aqui sente-se o isolamento de outra forma. Não é só a distância física - que é bastante das outras ilhas e claro, a maior do continente (Flores e Corvo compõem o grupo oriental dos Açores). Aqui vive-se um estado de espírito diferente. As doze horas que de barco se demoraram a aqui chegar, vindos da Terceira, atestam-no. Não fossem as baleias e os golfinhos avistados, bem como a Graciosa, S. Jorge, o Faial e o Pico que interrompem majestosamente a paisagem de azul marítimo, e até diríamos a viagem longa demais.&lt;br /&gt;Mas as Flores é um sítio que não se descreve, se não o sentir não o compreende. Faz parte daqueles pontos da Terra em que não há prosa, nem câmara, nem arte que a agarre.&lt;br /&gt;Começando pela Fajã Grande, uma montanha que se amuralha com o mar e se divide em cascatas. Ao fundo o ilhéu de Monchique. Que me perdoe o Cabo da Roca, mas este sim é ponto mais ocidental da Europa. E não há fotografia que capte este quadro. Sem falar do Poço do Bacalhau, onde chega ao chão uma das cascatas, ou a Alagoinha, uma réplica da Fajã Grande, desta feita depois de percorrer uma floresta tropical que se assemelha ao que imaginamos serem as paisagens do Bornéu.&lt;br /&gt;Santa Cruz é bonita e o Corvo visto daqui é uma tentação.&lt;br /&gt;Há sete lagoas para participar no conto de fadas, mas há algo estranho que paira no ar, é um conto de fadas negro. Há caminhos que tentam mas não levam a lado nenhum. Há paisagens que se fecham durante semanas e não deixam ninguém avistar um palmo à frente do nariz. As pessoas são calmas e humildes. Perspicazes para aguentarem o belo e o terrível de conviver diariamente com esta ilha. Aqui, os dias de Inverno devem ser uma experiência do outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498898949863053106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFADdeJbFzI/AAAAAAAAATc/r1hy3SJ2xy4/s400/A%C3%A7ores+2010+198.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFADRG0yt_I/AAAAAAAAATU/7_BJd8c08Rw/s1600/AÃ§ores+2010+197.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498898737444075506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFADRG0yt_I/AAAAAAAAATU/7_BJd8c08Rw/s400/A%C3%A7ores+2010+197.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-7042433897563215122?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/7042433897563215122/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/ilha-das-flores.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7042433897563215122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7042433897563215122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/07/ilha-das-flores.html' title='Ilha das Flores'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/TFADdeJbFzI/AAAAAAAAATc/r1hy3SJ2xy4/s72-c/A%C3%A7ores+2010+198.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-6718812679691525189</id><published>2010-03-22T04:57:00.000-07:00</published><updated>2010-03-22T05:01:25.337-07:00</updated><title type='text'>Marrocos - Marraquexe</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/S6db9jVzSPI/AAAAAAAAAR8/2Ey4kNHM39g/s1600-h/Marrocos+054.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451426986972104946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/S6db9jVzSPI/AAAAAAAAAR8/2Ey4kNHM39g/s400/Marrocos+054.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/S6db9H67s4I/AAAAAAAAAR0/laURb7pxONA/s1600-h/Marrocos+044.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451426979611652994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/S6db9H67s4I/AAAAAAAAAR0/laURb7pxONA/s400/Marrocos+044.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Marrocos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Epicentro de estímulos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marraquexe, a vermelha, como lhe chamam os árabes, abre-se em avenidas largas, planeadas, espaçosas. Tudo muda de figura quando se entra na Medina. Um mundo labiríntico, de fachadas encavalitadas, onde o conceito de privacidade é confundido com o da tolerância. Comerciantes assediam constantemente e ninguém é imune - nem o turista mais coração de pedra lhes resiste.&lt;br /&gt;- Nós e os portugueses temos muito em comum – diz um vendedor de tapetes – bom gosto, pouco dinheiro e gostamos de comprar camelo por preço de cabra.&lt;br /&gt;A Praça de Djemmá el Fna é o centro da cidade e o epicentro de todos os estímulos. As estrangeiras são agarradas pelas mãos e se não estão atentas começam a ver nelas desenhadas tatuagens típicas. Dezenas de pessoas em cómica cacofonia perguntam a nacionalidade; encantadores de serpentes, domesticadores de macacos, bailarinas travestis, apostadores em jogos comunitários, contadores de histórias, músicos, acrobatas, charlatães, curandeiros, etc. ajeitam-se no espaço sempre em movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima paragem é Ourzazate, com o deserto na mira. O relato da experiência neste fica para outra ocasião.&lt;br /&gt;Uma anotação de diário de bordo, apenas: Calculo o tempo como grãos de areia. A tempestade passou e o deserto ficou. Aumentou. Aparentemente é um sítio sem vida, mas nunca vi uma morte tão bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem continua, em direcção ao mar. Oitocentos quilómetros de estradas que serpenteiam montanhas secas ou atravessam vales em linha recta. A Polícia neste país aparenta ser a entidade mais odiada - nota-se o cansaço da população para com os seus agentes, nos constantes sinais de luzes avisando que mais à frente se encontra a polícia é prática constante e, embora não se deva generalizar, é normalíssima a prática do suborno entre marroquinos e com estrangeiros.&lt;br /&gt;Embora o trânsito seja algo caótico devido ao variado número e forma de locomoção, há uma certa harmonia na forma como conduzem e sobretudo se adaptam às estradas. Os peões nunca têm prioridade mas seguem o mesmo modelo, encaixam-se nos espaços livres e seguem o seu rumo. Transgressões de todo o tipo são praticadas com grande tranquilidade, como se fossem menos violações do código da estrada pelo se carácter descarado, realizadas com muita calma.&lt;br /&gt;Ao fim de umas quantas horas, depois de ter tocado o deserto, chego ao mar.&lt;br /&gt;Curiosamente só penso no que deixei para trás. O deserto, perdido de amores pelo astro-rei, é o pólo oposto de Agadir. É o destino das largas extensões desflorestadas. A paisagem lunar da terra.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-6718812679691525189?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/6718812679691525189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/03/marrocos-marraquexe.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6718812679691525189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6718812679691525189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2010/03/marrocos-marraquexe.html' title='Marrocos - Marraquexe'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/S6db9jVzSPI/AAAAAAAAAR8/2Ey4kNHM39g/s72-c/Marrocos+054.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-2046738645223561122</id><published>2010-03-22T04:54:00.000-07:00</published><updated>2010-03-22T05:04:14.297-07:00</updated><title type='text'>Praça Djemmá el Fna</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-28daf11c0f91a2b0" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" 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Isabel Maria'/><title type='text'>Carrasqueira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBRl8JcQlI/AAAAAAAAARA/NVMRf9W-zK4/s1600-h/Carrasqueira+071.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413416464342073938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBRl8JcQlI/AAAAAAAAARA/NVMRf9W-zK4/s400/Carrasqueira+071.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBRZwtrPuI/AAAAAAAAAQ4/3QzQjcMOi3I/s1600-h/Carrasqueira+040.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413416255114395362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBRZwtrPuI/AAAAAAAAAQ4/3QzQjcMOi3I/s400/Carrasqueira+040.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBO8a9Jw7I/AAAAAAAAAQo/pkdqrE2_o_M/s1600-h/Carrasqueira+037.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413413552034268082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBO8a9Jw7I/AAAAAAAAAQo/pkdqrE2_o_M/s400/Carrasqueira+037.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Caminhar por cima da ria&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é mar nem é firme. Não é rio nem é pântano. É a ria no Estuário do Sado, que sobe e desce com o desejo das marés. Os pescadores, quando a água foge, saem com os seus barcos empurrados ao longo dos canais, à força da vara, qualquer semelhança com gondoleiros é pura coincidência.&lt;br /&gt;D. Isabel Maria chega de uma tarde afortunada. Esta ria dá o pão a muitas pessoas: da apanha pode-se voltar com um balde cheio de amêijoas, canivetes, polvos, raia…&lt;br /&gt;O seu sorriso para a fotografia é igual ao que largou quando pôs os pés no Porto Palafita, abandonando o barco que o marido ficou a atracar.&lt;br /&gt;Há uns anos ainda pensou em abandonar a arte, já tinha feito cinquenta anos e nessa altura até foi integrada num curso onde lhe ensinavam o novo ofício - saber armar arranjos de flores secas.&lt;br /&gt;Quando é interrogada sobre a idade deste Porto Palafita, necessita de fazer algumas contas com a memória:&lt;br /&gt;- Pois isto já tem para lá de muitos anos, foi na altura que a Catarina Furtado aterrou cá de helicóptero, lembra-se?&lt;br /&gt;Não fica satisfeita com a resposta mas não se acanha:&lt;br /&gt;-Ora, já foi no tempo em que o Sampaio visitou a Carrasqueira.&lt;br /&gt;De facto, este porto já tem mais de 20 anos e assenta numa precária e labiríntica estrutura de estacas de madeira, enterradas no lodo do sapal que progride ria adentro.&lt;br /&gt;Foi construída pelos órgãos camarários para atrair turismo. Faz sentido, o sítio é inspirador.&lt;br /&gt;D. Isabel construiu a sua parte também, era ali junto ao arrozal. Quando teve oportunidade de escolher entre esta e outra profissão disse a si mesma:&lt;br /&gt;- Mas que quero eu mais da vida?&lt;br /&gt;E ficou pelas estacas, pregos e ria. A reforma não vinha longe e não lhe apetecia abandonar a embarcação.&lt;br /&gt;O marido não é tão optimista, diz que a ria está toda “rapada”, que já não deixam crescer os bichos o tempo que a natureza lhes pede. E como quem confessa apenas meia verdade de um segredo, ainda acrescenta:&lt;br /&gt;- Eu pus umas amêijoas pequenitas num sítio que eu cá sei e já lá hei-de voltar, dêem-lhes tempo…&lt;br /&gt;O arrozal alagado está quieto, embora o cereal cresça a olhos vistos. Os barcos baloiçam muito suavemente que hoje não há vento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBOFMQp2RI/AAAAAAAAAQg/MFMOQdWfJ7E/s1600-h/Carrasqueira+012.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413412603196725522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBOFMQp2RI/AAAAAAAAAQg/MFMOQdWfJ7E/s400/Carrasqueira+012.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBNVFqsZHI/AAAAAAAAAQY/uLASduM9KKI/s1600-h/Carrasqueira+003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413411776793175154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBNVFqsZHI/AAAAAAAAAQY/uLASduM9KKI/s400/Carrasqueira+003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-3563863514211498917?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/3563863514211498917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/12/carrasqueira.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3563863514211498917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3563863514211498917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/12/carrasqueira.html' title='Carrasqueira'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SyBRl8JcQlI/AAAAAAAAARA/NVMRf9W-zK4/s72-c/Carrasqueira+071.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-7730896107358861368</id><published>2009-05-17T16:19:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T16:25:57.854-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabo Verde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santiago'/><title type='text'>Com Bana, em Santiago</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/ShCcgfDVdrI/AAAAAAAAAPQ/yWbBXKySZU4/s1600-h/cv2008+064.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336937640339273394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/ShCcgfDVdrI/AAAAAAAAAPQ/yWbBXKySZU4/s400/cv2008+064.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/ShCb2y-XflI/AAAAAAAAAPI/soCn2UF5xcY/s1600-h/cv2008+081.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336936924132638290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/ShCb2y-XflI/AAAAAAAAAPI/soCn2UF5xcY/s400/cv2008+081.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ilha de Santiago&lt;br /&gt;Saímos do aeroporto de Lisboa às 15h. O moço que nos acompanha faz-me um sinal estranho. Pergunto-lhe em voz alta qual a sua dúvida.&lt;br /&gt;Ele questiona timidamente:&lt;br /&gt;- É o Bana não é? - Bana ri-se. Confirmo.&lt;br /&gt;É assim todo o caminho. As hospedeiras do avião da companhia aérea, bem como os outros passageiros fazem uma expressão de surpresa quando o vêem.&lt;br /&gt;Cabo Verde surge no horizonte como um conjunto de luzes navegando no oceano. O clima em Santiago está muito quente e húmido, promete uma boa chuvada para breve.&lt;br /&gt;No dia seguinte tenho a oportunidade de conhecer Kim Alves, a quando da sua visita ao cantor Bana. Tenho curiosidade porque, além de conhecer algum do seu trabalho, é o único músico com quem Bana quer actuar, aqui nesta ilha. Capricho ou rigor? Não sei. O que é certo é que Kim Alves toca quase todos os instrumentos que há no mundo e construiu um estúdio em Santiago, apostando na valorização da música nacional.&lt;br /&gt;Noto também nele o disfarce da idade. É impressionante como quase todos os cabo-verdianos aparentam menos dez ou quinze anos. Se fosse em Portugal, cometeria várias inconveniências usando o tratamento por “tu”, equivocada com a idade que parece tão próxima da minha. Mas aqui normalmente reina a descontracção. As ilhas são pequenas mas as idas e vindas que a vida de emigrado obriga, torna preciosos estes momentos, estes encontros. Lá fora chove muito. As pessoas resguardam-se, as estradas tornam-se menos transitáveis mas tudo isso terá uma grande vantagem…O interior vai ficar verdejante, nos dias seguintes vai ser uma verdadeira explosão de clorofila para os olhos.&lt;br /&gt;A apresentação do livro está marcada para as 18h30 e embora não se encha a biblioteca, está patente nos olhos o interesse sincero dos que nos escutam. O Sr. Ministro chega atrasado, mas senta-se na primeira fila e participa com contido orgulho. Estão na plateia figuras que ouvi falar ao longo de todas as histórias que escutei ao escrever a biografia do Bana: Tututa, Ramiro Mendes, Kim Alves, Príncipe, além do Sr. Embaixador de Cabo Verde em Lisboa, incentivador desta obra desde que o contactámos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raia novo dia , vou ter a oportunidade de conhecer o interior montanhoso e imedível de Santiago. Estou acompanhada de Príncipe e Chico Serra, famoso pianista que não passa por Santiago sem ir à Assomada, comprar as melhores linguiças que se fazem no país, disseram-me. Pelo caminho - montes e vales, pequenas aldeias e gente percorrendo trilhos com enxadas nas mãos e obrigações por cumprir nos passos em qualquer direcção. Lembro-me dos primórdios desta terra, lembro-me de tantos escravos que deverão ter fugido para o interior destas montanhas assim que houvesse uma oportunidade. Imagino como seria estar numa ilha, refugiado nas montanhas, sem poder daqui sair, mas ao mesmo tempo em liberdade. Ser badiu, naqueles tempos, devia ser um estranho sentimento.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-7730896107358861368?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/7730896107358861368/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/05/com-bana-em-santiago_17.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7730896107358861368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7730896107358861368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/05/com-bana-em-santiago_17.html' title='Com Bana, em Santiago'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/ShCcgfDVdrI/AAAAAAAAAPQ/yWbBXKySZU4/s72-c/cv2008+064.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-7960254695523808574</id><published>2009-03-01T11:35:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:42:42.895-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nepal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Himalaias'/><title type='text'>AS MONTANHAS DOS SHERPAS, O OXIGÉNIO DOS DEUSES</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarlGkAo1HI/AAAAAAAAAFo/6PyeqZ0q3jg/s1600-h/DSC01284.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308307011717878898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarlGkAo1HI/AAAAAAAAAFo/6PyeqZ0q3jg/s400/DSC01284.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarlGHp1vvI/AAAAAAAAAFg/wuS3GcyTdtQ/s1600-h/DSC01279.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308307004106063602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarlGHp1vvI/AAAAAAAAAFg/wuS3GcyTdtQ/s400/DSC01279.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A subida ao Campo Base do Everest&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Jiri a Kala Patar, o velho percurso que alcança o sopé do Everest, antes ainda dos aviões chegarem a Lukla até há uns anos, era o único e longo caminho possível para chegar ao Base Camp do Everest e Kala Patar, o local onde melhor se avista o ponto mais alto do mundo, sem o escalar. A riqueza que o turismo trouxe é distribuída de forma irregular e se em certas zonas em tempos se lucrou muito, hoje transformaram-se em periferias pouco procuradas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Himalaias, Kumbu Valley&lt;br /&gt;Namche Bazar aparece solarenga, os picos brancos gelados, e os verdes de mais baixa altitude, fecham-na em ovo, dispondo-a em anfiteatro que aproveita a encosta menos a pique. É uma vila de pedra, com telhados multicolores e movimentação nas ruas situada a 3440 metros de altitude. Comércio a alto custo para os milhares de turistas que aqui se acomodam durante o ano, é também o local ideal para uma primeira aclimatização à altitude. Todo o tipo de hotéis e requintes culinários podem ser encontrados, boas pizzas, óptimas tartes, fondue de queijo, e muito mais. Mas não só, há inclusive um heliporto que serve um hotel de luxo em Shyangbuje, possibilita operações de resgate, bem como viagens a membros de expedições e elementos militares. Esta é a maneira mais rápida de chegar a Namche, ganhando um dia de caminhada aos que aterram em Lukla e para aqui ainda têm de se deslocar.&lt;br /&gt;Todos os hotéis têm nomes parecidos, em Namche e em todo o percurso. Este chama-se “Valley View Lodge” e o proprietário, Nima Tamang, é um homem que sabe receber.&lt;br /&gt;“ As últimas três décadas tiveram uma enorme repercussão na zona de Khumbu – afirma ele - a introdução do turismo trouxe oportunidades extraordinárias ao povo sherpa. Enquanto alguns povos como os Bhotia, que viviam das rotas trans-himalaicas, transportando e comercializando mercadorias, viram a sua cultura e subsistência dramaticamente alterada quando o Tibete foi anexado pela China e as relações fronteiriças sofreram alterações substanciais, os Sherpas encontraram no turismo uma alternativa.&lt;br /&gt;A experiência de montanhismo e alpinismo de Nima revelou-se num instrumento precioso para acompanhar as crescentes expedições: “Já servi dezenas de vezes em expedições, como cozinheiro. O máximo que subi foi até aos 7400 metros. Tenho de ligar o fogão às 6:00 para conseguir ter o leite a ferver às 9:00.&lt;br /&gt;“Os sherpas enriqueceram como nunca – continua - no entanto, não há só vantagens, o grande senão do turismo é que uns ganham outros gastam. O lucro fica quase todo com certos clãs que pagam muito mal aos seus empregados que fazem o trabalho mais duro.”&lt;br /&gt;Dan come uma Rigi Kur (panqueca de batata), especialidade sherpa e mete-se na conversa. É um sherpa, carregador em serviço, mas nota-se que tem um tratamento especial. Acompanha um grupo de quatro norte-americanos que pela segunda vez vêm a este trilho e, como já o conheciam, pediram-lhe para chamar mais três amigos, contratando-os directamente.&lt;br /&gt;“Ganho o dobro do que se trabalhasse para uma agência e eles (americanos) pagam metade.” – confirma Dan.&lt;br /&gt;Sherpa é uma designação étnica, muitas vezes mal entendida pelos estrangeiros que pensam que apenas designa “carregador”.&lt;br /&gt;“Outra das desvantagens do turismo – explica Dan – é que todos os produtos sofreram uma inflação tremenda. Como seria de calcular, quanto mais se sobe, mais altos são os preços. Mas só quem está a ganhar bem com o turismo não se vê em dificuldades para suportar estes preços. As outras pessoas viram a sua vida tornar-se muito mais difícil e o turismo é recebido com pouco ou nenhum entusiasmo.”&lt;br /&gt;“E depois há situações irónicas” – avança Nima. “Até à chegada dos aviões a Lukla (a 2840 metros de altitude) e de helicópteros a Namche Bazar, as localidades de altitudes mais baixas, desde Jiri, eram as que lucravam mais com a chegada de estrangeiros. Hoje em dia, vêem os seus alojamentos desertos e as formas de subsistência tiveram de voltar aos métodos tradicionais de agricultura e imigração”. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-7960254695523808574?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/7960254695523808574/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/as-montanhas-dos-sherpas-o-oxigenio-dos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7960254695523808574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7960254695523808574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/as-montanhas-dos-sherpas-o-oxigenio-dos.html' title='AS MONTANHAS DOS SHERPAS, O OXIGÉNIO DOS DEUSES'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarlGkAo1HI/AAAAAAAAAFo/6PyeqZ0q3jg/s72-c/DSC01284.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-3511230086992651444</id><published>2009-03-01T11:29:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T03:14:48.209-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nepal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Himalaias'/><title type='text'>De Jiri a Kala Patar, AS MONTANHAS DOS SHERPAS, O OXIGÉNIO DOS DEUSES</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarjKT_1_MI/AAAAAAAAAFY/zOmtp-BOO2A/s1600-h/ultimas+038.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308304877115800770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarjKT_1_MI/AAAAAAAAAFY/zOmtp-BOO2A/s320/ultimas+038.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarjJ9kCRjI/AAAAAAAAAFQ/iTdcklgm4wo/s1600-h/DSC01053.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308304871093585458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarjJ9kCRjI/AAAAAAAAAFQ/iTdcklgm4wo/s320/DSC01053.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Caminhos de paciência&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O autocarro que demora oito horas a chegar a Jiri, sai de um terminal caótico e apinhado de gente. As imagens de pobreza e doença dos mendigos confiscam a beleza à cidade de Katmandu e impelem à busca das partes mais altas, mais puras, menos oxigenadas.&lt;br /&gt;Horas a ver montanhas crescer, a estrada tornava-se mais insignificante e atrevida. Uma noite de repouso em Jiri (1955 metros), uma aldeia de casas de madeira e comércio destinado apenas aos locais, recorda que este é o último ponto antes de se penetrar nas trilhas sem veículos motorizados. Mulheres avantajadas encostam-se às portas das suas lojas, sentadas em bancos, disfarçadas pela quantidade de material que as rodeia, esperando que alguém lhes dê conversa. Todo o material pesado ou de grandes dimensões, parece estar estacionado neste último armazém, à espera de ser levado para os montes isolados: mantas empilhadas, pás de agricultura, grandes bidões, sanitas “Indian style” ( latrinas), canos, roupa e cestas de mais de um metro em formato abaulado (dhoko).&lt;br /&gt;O início da trilha é percorrido por mulheres adolescentes, caminhando rapidamente com dhokos às costas, carregadas até ao cimo. Jiri desaparece do mapa e os pequenos povoados de 4 ou 5 casas aparecem hora sim hora não. Muitos carregadores levam as suas cargas apoiados com dois objectos fundamentais: uma faixa que liga a carga à testa e uma”teko”. A teko tem utilidade repartida: é uma vara grossa, em forma de T que serve para descansar nos momentos de menos forças pousando a carga contra o pau que a ampara (nem é necessário retirá-la do contacto com as costas); serve de bengala e ainda como arma de defesa para algum perigo inusitado.&lt;br /&gt;Pontes himalaicas recentes cruzam inúmeras vezes os rios. Substituíram a madeira pelo aço e bamboleiam só em dias de monções. O progresso foi chegando com a fama crescente da cordilheira.&lt;br /&gt;Camponeses separam o trigo do joio sentados nas varandas com vista soberba.&lt;br /&gt;“ Namasté!” - Saúdam quem passa.&lt;br /&gt;O rio é o mote para uma nova aldeia, Shivalaya, quatro horas depois de Jiri e daqui a subida inclina-se com orgulho, os carregadores nem repousam, tal deve ser a ansiedade de se verem livres de tal rampa. Até Deorali, onde se pernoita, sobe-se até aos 2750 metros e de seguida desce-se até aos 2150. Além da duração e extensão percorrida (mais de 200 quilómetros), este trekking tem esta dificuldade acrescida: até aos 3400 metros de altitude, os montes sobem-se e descem-se constantemente, numa dança em carrossel que adapta o corpo para passeios mais altos, mas o desgasta lentamente.&lt;br /&gt;Passa-se ao largo de uma fábrica de queijo, construída com a ajuda da Suíça nos anos 50 antes de chegar a Bhandar. Daqui até Nuntala são mais três ou quatro dias de caminhada&lt;br /&gt;passando por Kenja a 1570 metros e subindo depois até Sete, junto a uma Gompa (mosteiro budista tibetano) a 2575. Depois começa uma grande mas gradual subida até aos 3530, Lamjura, que marca o ponto mais alto até aos últimos dias de trekking, quando se passa ao reino dos 4000 metros. É o desfilar de pequenas aldeias de telhado de alumínio, brilhando ao sol; vacas lavrando com arados de madeira e crianças que as comandam; búfalos presos ou à solta; stupas (estruturas hemisféricas budistas) homenageando a fé dos homens; mulas que - a esta altitude - ainda podem transportar o que os donos lhes mandam; miúdos brincando à pesca à beira dos regatos; cabras e bodes cabeludos.&lt;br /&gt;Os alojamentos que se encontram para pernoitar são cabanas ou casas de madeira com cheiro a roupa lavada, mas sem qualquer extravagância de conforto. A casa de banho é um cubículo com um buraco entre as tábuas e um grande monte de erva seca e terra está à disposição de todos para que se arranque um punhado, substituindo a descarga do autoclismo. As cozinhas sempre com lenha a queimar, estão preenchidas de fumo de fogo e vapores cheirosos de comida prestes a atacar o frio das entranhas. A loiça metálica e de plástico alinha-se pelas estantes de madeira envernizada e grandes panelas fervem leite de yak na boca do fogão a lenha.&lt;br /&gt;Passam poucas pessoas no caminho, quase exclusivamente carregadores. Poucos ou nenhuns turistas se aventuram tantos dias a contornar montanhas. A espera pelos picos de 6000 ou mais, torna-se impaciente, o cansaço suspira por imagens mais inéditas, mas cada dia tem a obrigatoriedade de várias horas de andamento, o ritmo é imposto para se chegar a Namche Bazar, que a dado momento parece muito mais longínquo do que era de se esperar.&lt;br /&gt;Uma grande descida, de horas a percorrer calhau em calhau, desemboca em Phurtyang.&lt;br /&gt;O ambiente de serra manifesta-se no verde dos matos e força dos rios. Roupa seca estendida em troncos de madeira, ou na erva ou na sebe. O sol penetra por entre as nuvens depois de tantas vezes ameaçar chover e desistir. O objectivo final: Kala Patar e o Campo Base do Everest, por esta altura estava longe. Mas é em Phurtyang, pela madrugada, que se tem a primeira visão do Everest, longínquo, um dos vários picos que trespassam as nuvens. O ajuntamento de telhas onde se pode tomar um “hot shower” como anunciou o estalajadeiro (mas não passou de uma bacia com água a ferver e um púcaro) tem uma fenda com vista para os cumes. Até a montanha mais alta do mundo cabe dentro de uma fenda. Tudo é possível realmente.&lt;br /&gt;Um carregador com uma carga quase exclusiva de guarda-chuvas passa com ligeireza e deixa o rasto do seu rádio a pilhas que entretém o grupo. Têm uma dinâmica muito própria - quem leva a música, quando há, vai no meio do grupo; o menos carregado na dianteira e o mais sobrecarregado atrás. Quando o último pára para descansar, assobia. E todos param ou assobiam até a informação ter chegado ao ponteiro da comitiva.&lt;br /&gt;Camponeses de blusões atados à cintura, dão uso à enxada e esquecem-se do frio por umas horas. Cavam energicamente de nádegas para cima e costas encurvadas.&lt;br /&gt;As “orações automáticas” como lhes chamam, são bandeirolas quadradas muito coloridas presentes em todo o lado, quer perto de mosteiros e templos quer atadas a postes ou árvores. São automáticas porque o vento passa e faz com que as escrituras sagradas budistas lá inscritas bailem ao ar, rezando. Em rota de colisão com a divindade está também o Numbur. De Phurtyang a Nuntala (a aldeia de tectos vermelhos, azuis, cinzentos e amarelos) o trajecto é marcado pela aparição da montanha Numbur, claro e frio, o primeiro grande gigante de 6959 metros a desentorpecer o monotonia de montes verdes e viçosos. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-3511230086992651444?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/3511230086992651444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/de-jiri-kala-patar-subida-ao-campo-base.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3511230086992651444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3511230086992651444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/de-jiri-kala-patar-subida-ao-campo-base.html' title='De Jiri a Kala Patar, AS MONTANHAS DOS SHERPAS, O OXIGÉNIO DOS DEUSES'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarjKT_1_MI/AAAAAAAAAFY/zOmtp-BOO2A/s72-c/ultimas+038.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-1732161471221326930</id><published>2009-03-01T11:22:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:28:35.838-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='subida ao Campo Base do Everest'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nepal'/><title type='text'>Himalaias,  Kumbu Valley</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarhz7wS6eI/AAAAAAAAAFI/plyy2YI5Wzw/s1600-h/IMG_7830.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308303393139386850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarhz7wS6eI/AAAAAAAAAFI/plyy2YI5Wzw/s400/IMG_7830.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarhzVg_OdI/AAAAAAAAAFA/cjrF_uojDlI/s1600-h/trekking+base+camp+110.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308303382874634706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarhzVg_OdI/AAAAAAAAAFA/cjrF_uojDlI/s400/trekking+base+camp+110.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chegada a Bupsa dá-se ao fim da manhã e o alojamento acolhedor de Geljen Sherpa (todos os sherpas têm este apelido) ajuda a escolha de por ali ficar. Passados seis dias, uma tarde sem caminhadas.&lt;br /&gt;É uma casa de pedra com dois andares, janelas pintadas de roxo e um pátio-mirante, sem nenhum hóspede até então. Geljen é um homem de quarenta e poucos anos, bonito de porte atlético e a sua estalagem está cheia de referências às mais altas montanhas do mundo; não só o maciço do Everest como também o K2 (Paquistão) e Kangchenjunga, a terceira mais alta (que faz fronteira com Sikkim, na Índia). Percebe-se rapidamente que a sua relação com as montanhas está para a além dos lindos posters que enfeitam a sala de estar.&lt;br /&gt;“Subi-o em 2005. Foi o monte Everest que me deu a oportunidade de construir esta casa.” – menciona de sorriso discreto.&lt;br /&gt;O Governo nepalês contempla os cidadãos nacionais com cerca de 10 000 euros a quem “conquiste” a mais alta montanha, uma pequena fortuna que permite começar a vida a muitos casais e aumentar o record de nepaleses que figuram no registo.&lt;br /&gt;“ Na altura a minha mulher estava grávida e não sabíamos muito bem como seria o futuro. Nunca me tinha lembrado de correr tamanho risco, mas naquele dia decidi e pronto, fui. Tinha já escalado montanhas de 7000 metros e sou um sherpa, nós percebemos destas coisas.”- afirma Geljen.&lt;br /&gt;O que sentiu quando chegou lá acima, está à vista de todos, exposto em fotografias e mapas com linhas amarelas e verdes delineando percursos.&lt;br /&gt;“ O que senti, o que pensei…. – ri-se – foi: o que é que eu estou a fazer aqui em cima, quero ir ter com a minha mulher. – exclama com uma certa penumbra no olhar - Só passado algum tempo consegui sentir a alegria de o ter escalado. No momento não senti nada, só a sensação de me estar a meter onde não devia…Mas hoje sou um homem feliz, voltei e realizei o que queria.”&lt;br /&gt;Menciona também que tal proeza está ao alcance de muitos, hoje em dia.&lt;br /&gt;“Sinceramente acredito que a partir dos 7000 metros, somos todos iguais, pouco ou nada importa a preparação física que tenhamos. As condições são tão árduas que somos todos igualmente frágeis, o que ajuda é sem dúvida a força mental com que levamos até ao fim o nosso objectivo. Depois é uma questão de sorte.” – afirma quem desafiou a morte. O sorriso é tão grande que qualquer um parece carrancudo ao seu lado. Cozinha ao lado da esposa e só responde ao que lhe perguntam.&lt;br /&gt;Crianças são lavadas em grandes bacias metálicas na rua, choram ou queixam-se. A água é límpida mas vem do gelo. O rio Dudh Koshi, que quer dizer “Rio de leite”, desce pelas encostas trazendo as últimas novas dos glaciares. A aldeia plantada na montanha tem um cenário soberbo sobre as outras em volta.&lt;br /&gt;De Bupsa a Surkey foi mais um dia a subir, observando aranhas que trepam as suas teias invisíveis na luz do entardecer, e as mani, pedragulhos esculpidos com o canto tibetano budista “om mani padme hum”, omnipresentes em quase todos os quilómetros do itinerário montanhista. As paragens servem para observar um pouco mais este povo peculiar, o corrupio da época alta do turismo já passou, mas agora há que preparar a estação das chuvas que já visitam alguns dias neste período de Junho. Encontram-se alguns monges budistas nas aldeias maiores, acompanhados dos seus pupilos. Crianças carregam a mochila da escola com uma das alças à cabeça, imitando os hábitos de gente graúda. Alguns carregadores espetam um guarda-chuva aberto por cima da carga já envolta num grande plástico. De costas ostentam o tamanho de dois metros e meio ou mais. O caudal do rio Dudh Koshi aumenta na zona de Bengkar, no vale com o nome do rio, há quedas de água e a chegada a Namche, a grande vila das montanhas, já não está longe. Foram nove dias a caminhar até aqui. Falta apenas pedir e pagar a entrada no Sagarmatha National Park, entrar em território protegido e subir uma inclinada trilha que dos 2810 alcança os 3480 metros. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-1732161471221326930?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/1732161471221326930/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/himalaias-kumbu-valley.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1732161471221326930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1732161471221326930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/himalaias-kumbu-valley.html' title='Himalaias,  Kumbu Valley'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarhz7wS6eI/AAAAAAAAAFI/plyy2YI5Wzw/s72-c/IMG_7830.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-8338792375213850615</id><published>2009-03-01T11:11:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:48:37.208-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nepal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kumbu Valley'/><title type='text'>De Namche Bazar ao miradouro do Everest</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargHqwJnBI/AAAAAAAAAE4/7rEBoA6jlac/s1600-h/ultimas+057.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308301533149502482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargHqwJnBI/AAAAAAAAAE4/7rEBoA6jlac/s320/ultimas+057.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargHbIzSBI/AAAAAAAAAEw/qICJFLbmMhk/s1600-h/DSC01273.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308301528957929490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargHbIzSBI/AAAAAAAAAEw/qICJFLbmMhk/s320/DSC01273.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargGstfeZI/AAAAAAAAAEo/0dJMc2m0xpo/s1600-h/DSC01172.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308301516495354258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargGstfeZI/AAAAAAAAAEo/0dJMc2m0xpo/s320/DSC01172.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Faltam 4 ou 5 dias para Kala Patar, no mínimo. Estão reunidas forças e mentalização, fruto da climatização seguramente, para subir a grande escadaria que é a porta de saída de Namche Bazar. O caminho continua em direcção aos picos mais altos e logo ao sair do anfiteatro formado por Namche, é possível avistar montanhas tresmalhadas sem dono, isoladas e obstinadas, pouco tempo sem a companhia das nuvens. É aliás pouco depois que se avista claramente o pico do Everest, por detrás de uma Stupa branca, com dois olhos minuciosamente desenhados, hipnotizados pelas bandeirolas esvoaçantes. Aparece disfarçado pelas suas montanhas familiares, rodeado e protegido, um cume até insignificante, dá ideia ao princípio. As nuvens aparecem a meio da manhã, apoderam-se das vistas magníficas e obrigam quem por ali anda a focar paisagens mais próximas. O número de turistas aumenta consideravelmente a partir de Namche, a esmagadora maioria chegou via Lukla.&lt;br /&gt;Mulheres, homens e adolescentes nepaleses carregam dhokos extremamente pesadas, cheias de madeira. Uma movimentação extraordinária de lenha observa-se a partir dos 3800 metros. Nima já havia explicado: “Uma das directrizes principais do Sagarmatha National Park, a quando da sua criação em 1976, foi o controle de abate de árvores no perímetro do parque, limitando as espécies e a quantidade permitida a cada aldeia. Esta medida reduziu a desflorestação mas houve custos: as florestas fora das fronteiras do parque sofreram uma procura muito maior. Por outro lado, a maior parte dos “rangers” que trabalham na vigilância deste parque são Newaris, ou seja, o povo nepalês das terras baixas, do Vale de Katmandu. Isto é um território de difícil compreensão para eles e não conseguem penetrar em muitas zonas e locais elevados onde se situavam muitas das florestas que deviam proteger. É uma situação complicada, estes guardas têm a missão de proteger o ambiente das pessoas que são os donos destas terras, o povo original deste território desde há 500 anos. E que procuram o que sempre procuraram: a satisfação das suas necessidades básicas como cozinhar e aquecerem os lares.”&lt;br /&gt;Aldeias ancoradas em fundos vales deixam sair fumo das chaminés. A caminhada sobe sem fôlego até Tengboche, a 3860 metros, onde um mosteiro altaneiro dá as horas através de sinos que ressoam a quilómetros. Monges e monjas vestidos com cores que não variam mais do que o vermelho, amarelo e cor de vinho, agarram em varas e “sticks” em preparação para a descida. Até para isso parecem concentrar-se.&lt;br /&gt;O Ama Dablam, de 6856 metros, paira no horizonte com a sua forma de montanha atípica, com um pico quase redondo encostado a outro de forma mais normal, como se fossem gémeos falsos, ou um monstro de duas cabeças.&lt;br /&gt;Muitas horas de caminho quase a direito reanimam os montanhistas, um presente da natureza para estimular a subida a “Periche Pass”, a 4270 metros, antes de entrar em Periche, uma aldeia protegida por um vale gigante, atravessado por um rio e campo sem limites para a pastagem de inúmeros de yaks e naks (a fêmea). Os yaks domésticos nepaleses, por sinal os mais pequenos entre as populações das redondezas (Tibete, China, Mongólia) pesam cerca 360 quilos. Se falarmos das naks rondarão os 300 quilos. Encontram-se acima dos 3000 até aos 6000 metros. Não é possível encontrá-los antes devido ao seu pêlo extremamente comprido e abundante e porque não são imunes às doenças que existam a baixas altitudes. Observam-se algumas naks a grunhir às suas crias, é muito curiosa esta vocalização. São animais impressionantes, ostentam ar de complacência, dá a ideia que se recordam que já foram donos de tudo aquilo e agora, domesticados, prestam um favor, aturam os humanos e os seus desmandos. De qualquer maneira, os pastores da zona contam histórias de yaks intratáveis e imprevisíveis, que conseguem soltar as cargas e atirá-las para os grandes precipícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Picos de 6000 e 7000 metros amanhecem com tons rosa. Depois de uma noite de descanso o objectivo final está cada vez mais próximo. Só falta a distância até Lobuche, onde se pernoitará e depois seguir a trilha até Gorak Shep, a 5140 metros, o último amontoado de casas nas alturas. Pelo caminho, yaks impedem a passagem, no seu passo por vezes lento, desconhecem a dificuldade respiratória (evidente entre os ocidentais) e obedecem aos assobios do pastor ou aos estalidos que faz com a língua, indicando que devem parar ou acelerar a marcha.&lt;br /&gt;A chegada a Gork Shep é acompanhada com a visão dos mais intrépidos carregadores, levando às costas dois ou três bidões de plástico azul, tanto no sentido descendente como ascendente. Mas há um carregador que supera todos os outros. É uma imagem assombrosa: a 5200 metros, um sherpa carrega dois grandes armários amarelos, um sobre o outro, envoltos numa corda. É-lhe perguntado em nepali quantos quilos imagina levar ali. Não levanta os olhos do chão, nem responde. O companheiro da mesma língua arrisca: “ 120 …”&lt;br /&gt;“Mais…” – responde o homem enquanto expira.&lt;br /&gt;A paisagem torna-se lunar, a vegetação fugiu e o único elemento que destoa são as bandeirolas coloridas ou as pequenas stupas em memória dos imensos alpinistas que pereceram neste ou naquele cume. É um verdadeiro desfile de nacionalidades e eternas saudades.&lt;br /&gt;Esta pequeníssima aldeia está enclausurada num vale de areia. Tão branca que cega a vista. Para um lado há o trilho para Kala Patar, mais 400 metros, os últimos, a pique. Para o outro, sem grandes inclinações nem declives, segue-se até ao Campo Base do Everest, já por entre glaciares camuflados de terra e areia. Um número insignificante de tendas revela que a época de alpinismo ao Sagarmatha (nome nepalês do Monte Everest) está dada por terminada. Só no dia seguinte, pelo nascer do sol, os 400 metros que antecedem um dos maiores miradouros do mundo, serão subidos a passos lentos, pensados, raciocinados. Montanhas rainhas tais como o Pumori, Nupse, Lotse e Everest afunilam Gorak Shep e Kala Patar, todos os picos estão na casa dos 7000 e 8000 metros. O pouco oxigénio que se respira já não é para os humanos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-8338792375213850615?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/8338792375213850615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/subida-ao-campo-base-do-everest-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/8338792375213850615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/8338792375213850615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/subida-ao-campo-base-do-everest-de.html' title='De Namche Bazar ao miradouro do Everest'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SargHqwJnBI/AAAAAAAAAE4/7rEBoA6jlac/s72-c/ultimas+057.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-9198021404753136107</id><published>2009-03-01T11:06:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:09:40.808-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabo Verde'/><title type='text'>Ilha de Sto Antão - A TEIMOSIA DE EXISTIR</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SardXHizB9I/AAAAAAAAAEg/8QTF1pSuwHA/s1600-h/Picos+de+S.Ant%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308298500041279442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SardXHizB9I/AAAAAAAAAEg/8QTF1pSuwHA/s320/Picos+de+S.Ant%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SardW9DWeOI/AAAAAAAAAEY/LZ5wlbkkjOg/s1600-h/Pausa+depois+do+trabalho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308298497225029858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SardW9DWeOI/AAAAAAAAAEY/LZ5wlbkkjOg/s320/Pausa+depois+do+trabalho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em pleno Oceano Atlântico, uma ilha do arquipélago de Cabo Verde destaca-se das demais pela sua morfologia e latitude. As suas gentes, desde há séculos enfrentam o desafio de viver em condições acrobáticas, pendurando-se nas serras e transpondo-as com a força de uma comunidade. Encaram-se os dias. Os pais vão ensinando algo aos filhos: a teimosia de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gentes de S. Antão, são um povo escalador e teimoso, as casas são construídas tendo como arrimos certos blocos de rocha, ou encavalitadas nas encostas, perseguindo as estrias vincadas da montanha. Muitas choupanas também se equilibram em confluências de rochas, encaixadas em grandes aberturas de grutas. As reentrâncias na terra, quando largas, servem de estábulo aos burros, ou de depósito de colheitas.&lt;br /&gt;À medida que se vai avançando pelo Paúl acima, torna-se mais claro o esforço dos camponeses desta terra: os socalcos são construídos em locais impensáveis, permitindo hortas verdadeiramente suspensas, culturas às prateleiras que quanto mais em altitude, mais difíceis se adivinham de lavrar. Aldeões também se encontram dispersos e pendurados na paisagem, recolhendo pacientemente palhas estéreis que servem de pasto para o gado e também de lenha.&lt;br /&gt;Chega-se a Cabo da Ribeira. O percurso deixa de ser transitável por veículos, tudo é carregado às costas e encontra-se logo de seguida uma quinta onde o trapiche está a funcionar. Um odor característico da calda e grogue bagaço junta-se ao queixume das canas esmagando-se contra os cilindros de aço. Lembra que o grogue (aguardente de cana de açúcar) é produzido nesta ilha e faz as delícias e as loucuras do resto do arquipélago. Carregam-se os baldes de calda até às pipas de fermentação no armazém onde repousarão quinze dias, por um trilho que acompanha a encosta íngreme, rodando-se os baldes para à frente ou para os lados, conforme o espaço que existe para passar. No alambique é colocada a calda já pronta, o forno alimentado a lenha leva à fervura este soro transformando-o em aguardente, o grogue que no final, através de um cano aberto ao ar desagua num garrafão de vidro transparente.&lt;br /&gt;No meio dos homens que trabalham, duas ou três crianças bebericam a calda da cana. Um deles, William, de 12 anos, o mais conversador e curioso, ajuda nas tarefas que os adultos lhe encomendam. O seu sorriso franco acompanha-o à escola todas as manhãs e assim continua durante o resto do dia. Os olhos muito abertos, acompanhados pelo português desenvencilhado (além do francês e inglês que já arranha) permitem-lhe dialogar com pessoas de inúmeras nacionalidades. S. Antão é procurado sobretudo por turismo de montanha. William vai convivendo com outros povos, crescendo rápido, com a inocência e a força das montanhas.&lt;br /&gt;- Quem não aprende a ler nem a escrever não pode ser grande coisa na vida. – entende ele - Bebi uma vez grogue e jurei para nunca mais, parecia que já estava morto, via estrelas em todo o lado. – acrescenta estrategicamente.&lt;br /&gt;Fala tudo o que lhe deixarem, um correctíssimo português com sede de pessoas novas que o escutem.&lt;br /&gt;– O meu tio é mecânico de automóvel em Portugal – continua - se eu estudar e conseguir ter boas notas vou trabalhar com ele. – O sonho de emigrar existe em quase todos os habitantes desta terra, mais cedo ou mais tarde, todos tomam consciência que é a única saída para quem ambiciona trepadas ainda mais altas.&lt;br /&gt;O professor Jorge, encostado a uma palmeira e com um cálice de grogue a descontrair a tarde, lecciona o primeiro ciclo na escola de Sinagoga, uma aldeia a alguns quilómetros dali. Nasceu em Poço do Bispo em Lisboa e a mãe, cabo-verdiana, não o podendo criar, pô-lo na antiga “Roda”, a extinta instituição que aceitava crianças abandonadas. As crianças eram recolhidas numa estrutura que rodava entre a rua e o interior das instalações, conferindo assim o anonimato ao progenitor que a abandonava. Morou sempre em Lisboa e já em adolescente veio viver para S. Antão e nunca mais daqui saiu.&lt;br /&gt;William pergunta-lhe sobre a lenda da bruxa que existiu nuns montes no Paúl, uma mulher a quem as pessoas temiam pela anormal formosura. Jorge explica ao pupilo que essa lenda existiu e ainda se sabem de algumas histórias de pessoas muito bonitas com fama de bruxas.&lt;br /&gt;- A diversidade racial em Cabo Verde é tanta, com todas as misturas possíveis entre raças, que de vez em quando aparecem pessoas que até espantam pela beleza. Incomodadas pelo falatório, antigamente, havia quem se recolhesse em casa, levantando suspeitas de conjuras com o diabo. - exclama Jorge.&lt;br /&gt;Cai o sol. O matraquear do trapiche mecânico a funcionar imprime uma função diferente ao tempo, não é noite nem dia, é hora de trabalho. Grandes montes de cana enchem os terreiros à espera de novo destino, provavelmente para entelhar as casas por construir, um telhado perfeito, dizem, não deixa penetrar uma gota das chuvadas.&lt;br /&gt;Cabras desengonçadas descem resvalando de um pico escarpado e sem caminho à vista. Um homem velho surge pouco depois, ultrapassando-as e assobiando. Não usa as mãos e apenas um cajado dá impulso aos saltos que vai dando de rocha em rocha. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-9198021404753136107?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/9198021404753136107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/ilha-de-sto-antao-teimosia-de-existir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/9198021404753136107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/9198021404753136107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/ilha-de-sto-antao-teimosia-de-existir.html' title='Ilha de Sto Antão - A TEIMOSIA DE EXISTIR'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SardXHizB9I/AAAAAAAAAEg/8QTF1pSuwHA/s72-c/Picos+de+S.Ant%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-6331456258514124128</id><published>2009-03-01T10:58:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:04:59.954-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabo Verde'/><title type='text'>Mar di Canal - Ilha de Sto Antão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarb2bxmccI/AAAAAAAAAEQ/PQr1VgctWLQ/s1600-h/Barco-+Ribeira+de+Pa%C3%BAl.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308296839024767426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarb2bxmccI/AAAAAAAAAEQ/PQr1VgctWLQ/s320/Barco-+Ribeira+de+Pa%C3%BAl.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarb1s4hhWI/AAAAAAAAAEI/rQzSblvNOgE/s1600-h/Aldeia+de+Sinagoga.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308296826437338466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarb1s4hhWI/AAAAAAAAAEI/rQzSblvNOgE/s320/Aldeia+de+Sinagoga.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No porto de S. Vicente aglomeram-se as pessoas prontas para mais uma travessia do mar di Canal. O Atlântico não brinca em dias de ventania mas hoje, o mar anuncia uma especial viagem de altos e baixos. O barco Ribeira do Paúl, com capacidade para 160 passageiros, recebe os de hoje através de uma escada ondulante ligada ao cais. Começa a viagem até S. Antão, o barco distancia-se da terra com a ligeireza de uma tartaruga, pequena face ao oceano, robusta face aos golpes da viagem marítima. No mar di canal a história de naufrágios é tão longa como a memória de aqui viver.&lt;br /&gt;O Ilhéu dos Pássaros, uma rocha plantada no meio do canal, faz as vezes de bússola, depois dele são uns 40 minutos a navegar com dois territórios insulares à vista, mas estranhamente distantes devido à força das correntes.&lt;br /&gt;S. Antão é a última (ou a primeira) das ilhas do grupo do Barlavento. S. Vicente sempre a usou de celeiro. Por sua vez, de S. Antão imigra-se para a cidade do Mindelo, em busca cultural e comercial.&lt;br /&gt;Existe uma atmosfera descontraída entre os locais, os cabo-verdianos- santantonenses ou saovicentinos - fazem mais uma viagem de ilha para ilha, carregam sacos agrícolas e algumas cestas. Bananas, papaias, feijão, milho, fruta-pão, garrafões de grogue e até molhes atafulhados de cana-de açúcar, tudo encravado debaixo dos bancos, a forma de não rebolarem pelo convés quando chegarem as investidas das ondas.&lt;br /&gt;As ondas surgem a bombordo e a estibordo, sincronizadas, fazendo do barco um baloiço, ora para um lado ora para o outro, num movimento inacabado de centrifugação.&lt;br /&gt;Os rostos ficam visivelmente mais tensos, mas nada que alguns vómitos sonoros não aproveitem para aliviar. O oceano, esse vai espalhando ar fresco e baleado de gotas de água, só ele e o comandante do barco participam da quantidade de direcções daquelas correntes.&lt;br /&gt;Porto Novo aparece desértica. É a cidade-porta, recente e esbranquiçada. No cais já está instalado o furor da chegada diária do Ribeira de Paúl. Existe outro transporte, uma grande embarcação que faz esta travessia, mas é usado por pessoas mais endinheiradas e turistas.&lt;br /&gt;- Ponta do sol! Ribeira Grande!!! - E os demais destinos são gritados pelos motoristas. Aparentemente todas as pessoas se conhecem. É um meio pequeno e as viagens já estão quase todas combinadas.&lt;br /&gt;O motor da “Hiáce”, como eles dizem, um Toyota de nove lugares, arranca subindo lentamente até ao sopé da montanha, parando algumas vezes para recolher passageiros. Rostos negros e mulatos encostam-se confortavelmente aos vidros das janelas, deixando-se embalar pela estrada empedrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vale do Paúl, chega duas horas depois e já deixou para trás uma viagem de uma ponta à outra da ilha. O troço final até Vila das Pombas são alguns quilómetros de via marginal sempre a contornar o Atlântico. A estátua de S. Antão (S. António em língua Crioula) agarra o menino e não tira os olhos do oceano. Já cheira a Brasil…&lt;br /&gt;Existe movimentação na vila, a maior de todo o Vale, as crianças vão para a escola de bata azul, aparentemente satisfeitas.&lt;br /&gt;A origem vulcânica está presente na paisagem e entre as pessoas reina a tranquilidade de quem já viu a tempestade passar. As primeiras árvores plantadas a partir dos anos vinte do século passado, vieram da Serra da Estrela e com elas, também a metrópole enviou técnicos especialistas em implementação da agricultura com a missão de tornar estes vales e picos a rondar os dois mil metros em terrenos produzíveis. Pinheiros, eucaliptos, grevílias, ciprestes e até algumas figueiras, entre outras espécies autóctones, compõem a família florestal. Esta, entre as dez do arquipélago, é das poucas ilhas onde ainda chove, praticamente todos os anos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-6331456258514124128?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/6331456258514124128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/mar-di-canal-ilha-de-sto-antao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6331456258514124128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/6331456258514124128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/mar-di-canal-ilha-de-sto-antao.html' title='Mar di Canal - Ilha de Sto Antão'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sarb2bxmccI/AAAAAAAAAEQ/PQr1VgctWLQ/s72-c/Barco-+Ribeira+de+Pa%C3%BAl.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-7380269421495771207</id><published>2009-03-01T10:45:00.000-08:00</published><updated>2009-03-08T15:27:35.760-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabo Verde'/><title type='text'>Ilha de Sto Antão - Falésias e Trapézios</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY-bImghI/AAAAAAAAAEA/3FcRkRUY2fU/s1600-h/William.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308293677756875282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY-bImghI/AAAAAAAAAEA/3FcRkRUY2fU/s320/William.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY9yKacYI/AAAAAAAAAD4/Eo0Ols3fZT4/s1600-h/Ponta+do+Sol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308293666758619522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY9yKacYI/AAAAAAAAAD4/Eo0Ols3fZT4/s320/Ponta+do+Sol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY9dKNMmI/AAAAAAAAADw/MKpMnVsB7VI/s1600-h/Fontainhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308293661120606818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY9dKNMmI/AAAAAAAAADw/MKpMnVsB7VI/s320/Fontainhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falésias e trapézios&lt;br /&gt;Atravessa-se Ribeira Grande à hora de saída dos quase três mil alunos do Liceu Lizete Delgado. Dispersam-se pela cidade e pelas montanhas, trepando os inóspitos desfiladeiros.&lt;br /&gt;Segue-se viagem para Chã da Igreja. Nhô Silva, um dos quinze passageiros que viajam na “Hiáce” aproveita a viagem para desabafar as suas preocupações, com peculiar sentido de humor:&lt;br /&gt;-“ Os chineses e as lojas deles já não me enganam mais vez nenhuma. Comprei lá umas sandálias que duraram dois dias. – Já viveu em Portugal muito tempo, trabalhando na construção civil. De facto, como em muitos outros locais do mundo, também em Cabo Verde as lojas chinesas imperam a cada esquina.&lt;br /&gt;- Já cheguei à conclusão que mais vale comprar dez camisas logo de seguida nas lojas dos chineses para as ir substituindo conforme se rompam. - remata.&lt;br /&gt;As conversas tornam-se impossíveis com o ranger dos travões nas descidas até Chã de Igreja, já bem junto ao mar.&lt;br /&gt;De Chã de Igreja a Cruzinha, uma pequena aldeia piscatória, e até Fontainhas, pode-se fazer um percurso pedestre sempre na rocha à beira-mar. A trilha faz lembrar uma antiquíssima estrada romana, pede um metro e meio emprestado à falésia, quer acompanhado por um muro de protecção quer sem ele, quer subindo quer descendo, degraus e zigue-zagues.&lt;br /&gt;Antes de chegar às Fontainhas ainda se passa por Formiguinhas e Corvo, duas aldeias encravadas entre o mar e o maciço rochoso, num isolamento com tanto horizonte que potenciará mais ainda a aflição de emigrar.&lt;br /&gt;Ti Jôn abre as portas da sua casa, vende cervejas e água a quem passa, nada mais. Na sua sala de estar exibem-se em prateleiras os mais variados electrodomésticos, um microondas, uma torradeira, um dvd, uma pequena aparelhagem, uma batedeira eléctrica, uma varinha mágica. Tudo dentro das respectivas embalagens, sugerindo pouco ou nenhum uso.&lt;br /&gt;- É a minha filha que me envia estas coisas. Vêm da Alemanha. – esclarece.&lt;br /&gt;O troço do percurso até ao Corvo é mais escarpado e sinuoso. Aqui existem uns estabelecimentos parecidos com cafés, mas de qualquer maneira a vida continua a enunciar-se dura e cheia de sacrifícios.&lt;br /&gt;As Fontainhas, a aldeia-presépio surge finalmente no horizonte. As casas usam-se umas às outras como alicerces e o precipício, que se desenha aos socalcos, é aproveitado ao milímetro para cultivo. Alfaces crescem no sentido horizontal, mas de raiz persistente. A parte inferior da aldeia serve de trapézio à de cima e a falésia é apenas uma armadilha que há muitos anos passou a ser ignorada. Junto ao mar, à distância de vários metros de altitude, foi alisado um campo de futebol e as crianças chutam as bolas, trajadas de camisolas de jogadores lusos ou brasileiros.&lt;br /&gt;O Sr. Teófilo é dos poucos com vontade de falar. Em poucos minutos põe-se à vontade e começa a recitar a História de Portugal como quem recita poesia, às vezes perde-se no tempo, nunca a coerência. Dá a entender que decorou pedaços de livros inteiros. A época de D. Afonso Henriques e da formação de Portugal é a sua preferida. Egas Moniz o seu herói. Com a quarta classe, estudou Geografia, Economia e História:&lt;br /&gt;- Sem dúvida que antigamente o ensino era muito mais exigente, e as crianças saíam dali preparadas para a vida, mas confesso que até aos vinte e tal anos sabia de cor todas as linhas férreas de Portugal e nem sequer sabia por quantas ilhas era formado o arquipélago de Cabo Verde. – comenta o Sr. Teófilo um senhor com setenta anos e aspecto de cinquenta.&lt;br /&gt;É a nota comum entre este povo, a partir de uma certa e avançada idade, todos aparentam aproximadamente menos dez ou quinze anos.&lt;br /&gt;A televisão sintoniza os canais portugueses. As pessoas estão ocupadas com as suas vidas, não há pressa para nada, só teimosia de existir.&lt;br /&gt;O tempo passa tão devagar que se enganam as rugas, se enganam os filhos, os netos e os bisnetos: a saúde e a total ausência de stress deve ser a dádiva dos deuses atlantes aos bravos que persistem em habitar locais tão remotos.&lt;br /&gt;Quem melhor explica tal ímpeto do espírito, é o filho mais novo do Sr. Teófilo, juiz da comarca de Ponta do Sol, a vila mais próxima. Estudou na Faculdade de Direito de Lisboa e frequentou o SEJ (Centro de Estudos Judiciários) durante mais dois anos. Regressou a S. Antão contente com a experiência em Portugal, com o enriquecimento cultural e profissional que desejava. Agora, sentado no chão com uma mini Sagres presa entre os dedos, camisola de alças realçando o corpo mulato, cerra os olhos por detrás dos óculos descansando brevemente de mais um dia de processos e sentenças.&lt;br /&gt;- Só na minha ilha tenho a sensação de estar em casa e ao mesmo tempo navegar continuamente. É um sentimento ilhéu e atlântico. Ironicamente, só em S. Antão não me sinto preso ao chão. – Explica descontraído, de sorriso enigmático. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-7380269421495771207?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/7380269421495771207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/ilha-de-sto-antao-falesias-e-trapesios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7380269421495771207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/7380269421495771207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/03/ilha-de-sto-antao-falesias-e-trapesios.html' title='Ilha de Sto Antão - Falésias e Trapézios'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SarY-bImghI/AAAAAAAAAEA/3FcRkRUY2fU/s72-c/William.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-1376154331202779114</id><published>2009-02-27T10:50:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:46:46.744-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Índia'/><title type='text'>Sikkim - O escondido Reino Himalaia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sag3PITSNEI/AAAAAAAAABk/qt7UdQ0u7zo/s1600-h/DSC00880.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307552893922063426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sag3PITSNEI/AAAAAAAAABk/qt7UdQ0u7zo/s400/DSC00880.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os vistos e permissões são carimbados em Siliguri, a entrada no 22º Estado da Índia está assegurada. O segundo estado mais pequeno e o menos populoso está encostado ao Tibete (administrado pela China), ao Nepal e ao Butão e a sua história é de invasões e tratados de paz, Budismo e Hinduísmo que à mistura se foram adaptando às encostas escarpadas e profundos vales neste recanto de Himalaias tropicais.&lt;br /&gt;O clima oscila entre temperado, tropical e alpino, uma vez que a altitude varia entre os 280 metros e os 8590, mas Sikkim é diverso em vários outros aspectos, a população reparte-se entre lepchas, bhutias, e nepaleses, o que, culturalmente, triplica o interesse da região, sobretudo por conviverem pacificamente. Residem outras comunidades de emigrantes, nomeadamente tibetanos, sobretudo no Norte e no Oeste do Estado.&lt;br /&gt;O autocarro apinhado dirige-se a Gangtok, as sucessivas paragens devem-se aos desvios improvisados que escapam aos destroços das enxurradas da estação das chuvas que lamberam vários troços da estrada que agora se recupera vagarosamente. Ninguém se preocupa com os precipícios e há quem durma apoiado ao braço, estirado firmemente e agarrado ao manípulo suspenso no tecto do autocarro.&lt;br /&gt;Gangtok, além de capital e cidade mais populosa, também se confunde com um desmesurado miradouro, bem aproveitado através de uma linha de teleféricos que balouçam junto às nuvens e espreitam para os cumes mais altos disfarçados pela neblina. É uma cidade em escalões, rodopiada por jipes pujantes e automóveis que a sobem e descem, espectacularmente edificada por prédios simples de três ou quatro andares, apoiados uns aos outros como peças de puzzles da engenharia. Vêem-se transeuntes com pressa e sem ela, mas é na avenida principal, que a partir das 17 horas se transforma numa enorme via pedonal que se reencontram os compadres e as comadres, os jovens e os velhos, os monges e os leigos, os comerciantes e os consumidores. As etnias confundem-se, não se está na Índia nem na China, não é Tibete nem o Nepal. Os números indicam que 60% da população é hindu, 30% é budista e 7% é cristã, sobretudo os lepchas convertidos pelos ingleses quando exerciam influência nesta zona antes da independência da Índia em 1947. Uma estátua de Nossa Senhora dá as boas vindas aos crentes na fachada principal da sua igreja enquanto os miradouros da cidade estão preenchidos com orações de quadrados de pano, uma colorida demonstração de fé budista. O Budismo foi introduzido no séc. XV e aparentemente é a religião predominante. Os seus muitos e antigos mosteiros espalhados pelo estado são a prova terrena disso mesmo. Intercalam-se os vestuários, os prazeres culinários, os festivais religiosos que cada cultura aprimora.&lt;br /&gt;Na paragem dos táxis-jipes podem ser escolhidas várias direcções, basta perguntar quando não há tabuleta. Arranja-se sempre lugar para mais um e os veículos normalmente partem com o tejadilho carregado de materiais de construção ou grandes sacolas amarfanhadas. Dentro do jipe reina o silêncio, mais do que isso, assiste-se a uma certa concentração que do condutor é contagiada para os passageiros, alguns murmúrios ou o som das contas dos terços a tilintar não interrompem a meditação que parece ser o estado normal em que vive aquela gente. Nem o chiar dos travões que permitem atravessar o percurso de curva e contra-curva até ao mosteiro de Rumtek perturbam os passageiros.&lt;br /&gt;À entrada do mosteiro, fileiras de chu mani tengur (orações inscritas num cilindro que com impulso dado pelos crentes rodam sobre o seu eixo) indicam o caminho para o recolhimento. O primeiro portão é vigiado por um guarda e assim que se trespassa a entrada para o átrio dois homens de bastante idade chamam à atenção, agachados num canto, debaixo de um telheiro. Um rapa a cabeça ao outro. Têm trajes de cor açafrão e quase não existe luz para executar a tarefa. O resto do átrio está vazio, de vez em quando passa um estudante de sacola na mão que entra para dentro do mosteiro. Este é um verdadeiro espaço contra a monotonia, já que tanto a sua entrada como o seu interior estão revestidos de pinturas à mão com a conjugação de tantas cores e tantas histórias, tantas personagens e tantos símbolos, tantos deuses e dragões. Cada coluna vermelha e dourada é enfeitada por faixas que pendem do tecto desenhadas com campos floridos. O requinte e pormenorização destas figuras é espelho de um trabalho que sugere séculos de paciência. Os olhos de Buda estão fechados mas concentram as atenções dos presentes: alguns monges e senhoras muito velhas.&lt;br /&gt;Procurando as traseiras do mosteiro, entende-se que ali se estende um complexo de edifícios que estruturam uma universidade: Karma Shri Nalanda Institute, onde se desenvolvem os Estudos Budistas Superiores. Aprendizes debatem serenamente nos jardins, ou manuseiam um livro isoladamente, ou estendem-se ao sol de braços e ombros nus com as vestes vermelhas contrastando com o verde da relva.&lt;br /&gt;Um som surdo mas sonante provém de uma sala interior, é possível entrar, realiza-se uma oração budista, no qual um garoto de cinco ou seis anos lidera o grupo de dez jovens adultos, batendo desajeitadamente num gongo estridente, enquanto os outros entoam um canto perturbador, a uma só voz. Nenhuma explicação é oferecida, nem se vislumbra espaço para colocar questões. Os visitantes devem usufruir dessa sua qualidade, de forma resguardada e sem interferir nas rotinas da universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-ead86926ab953b3b" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dead86926ab953b3b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330241494%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D568843E8BD1578A5457720CD9AF9016B61F400FE.355916A7BB046951683F3D77F0CEA11F55DD233A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dead86926ab953b3b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D_Rky95qpWBJwskPu9naXDnnp9ec&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dead86926ab953b3b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330241494%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D568843E8BD1578A5457720CD9AF9016B61F400FE.355916A7BB046951683F3D77F0CEA11F55DD233A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dead86926ab953b3b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D_Rky95qpWBJwskPu9naXDnnp9ec&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-1376154331202779114?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=ead86926ab953b3b&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/1376154331202779114/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/sikkim-o-escondido-reino-himalaia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1376154331202779114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1376154331202779114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/sikkim-o-escondido-reino-himalaia.html' title='Sikkim - O escondido Reino Himalaia'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sag3PITSNEI/AAAAAAAAABk/qt7UdQ0u7zo/s72-c/DSC00880.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-3608727388240277765</id><published>2009-02-27T10:22:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T13:45:20.781-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Índia'/><title type='text'>Sikkim em troca do Tibete</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamwTKqQr3I/AAAAAAAAADo/Iq8Zb5c5w7Q/s1600-h/DSC00681.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamwTKqQr3I/AAAAAAAAADo/Iq8Zb5c5w7Q/s400/DSC00681.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307967479158452082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sag1nYSsvTI/AAAAAAAAABU/d_G8EgZG2yM/s1600-h/IMG_7363.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307551111508180274" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 300px; height: 400px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sag1nYSsvTI/AAAAAAAAABU/d_G8EgZG2yM/s400/IMG_7363.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Rumtek é uma fiel réplica das instalações de Kagyud, no Tibete. Muitos dos fiéis são tibetanos. Muitos dos tibetanos encontraram em Sikkim o início de uma nova vida, bem mais próxima da antiga realidade do seu país do que a actual realidade da colonização chinesa. O Namgyal Institute of Tibetology, por exemplo, é um prestigiado centro de tibetologia com uma rara colecção de manuscritos sânscritos, tibetanos e lepchas onde se podem observar mais de 200 objectos de arte budista que encantam os visitantes.&lt;br /&gt;Em 1947, uma consulta ao povo teve como resultado a decisão de Sikkim não se juntar à União Indiana, recentemente tornada independente da Grã-bretanha, pelo que o primeiro ministro Jawaharlal Nehru concordou que Sikkim seria um protectorado com um estatuto especial. Em 1973, motins em frente ao Palácio Presidencial pediam protecção formal à Índia, descontentes com as opções do Chogyal (líder político) e em Abril de 1975, através de um referendo que obteve 97,5% das votações a favor, Sikkim passou a ser o 22º estado da Índia, abolindo-se a monarquia.&lt;br /&gt;Pela sua localização geográfica Sikkim, é um terreno propício a receber os efeitos colaterais de dois gigantes que exercem pressões a vários níveis, mais cedo ou mais tarde, por motivos políticos ou económicos, uma opção tinha de ser tomada. A China vive em 2000 um episódio incómodo a quando da fuga inesperada e desesperada do Lama Karmapa Urgyen Trinley Dorje (proclamado Lama pela China) para o mosteiro de Rumtek, uma vez que o ainda não havia sido oficialmente reconhecido pela China que Sikkim fazia parte da Índia. Tal só veio a acontecer em 2003 quando o acordo é assinado entre as duas potências no qual a China reconhecia que Sikkim era território indiano e a Índia reconhecia que o Tibete era território chinês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar ao Tsombo lake, outro local de visita obrigatória, além de conseguir uma série de novas papeladas carimbadas é necessário percorrer uma estrada que desafia o desfiladeiro, conhecida como uma das mais altas estradas circuláveis do mundo, com pontes que também batem recordes, onde se observam anéis de nuvens roçando as montanhas em forma de torres. A presença militar é intensa e constante e os anúncios em cartazes amarelos escritos a tinta verde enunciam as mais variadas mensagens, políticas, espirituais ou sócio-económicas. Uma delas podia ler-se em inglês: “Quantas pessoas calcula que morreram na construção desta estrada para você aqui poder passar hoje.” Outro enunciava: “De Caxemira a Kanyakumari (ponto mais a sul do país) Índia é uma só.”&lt;br /&gt;O lago, a 3780 metros de altitude, é apenas a 18 quilómetros da fronteira com o Tibete. Mantém-se mais tranquilo que a base militar, só as gotas de chuva o agitam, não há sinal de vento, nem as montanhas que o rodeiam podem ser avistadas através do nevoeiro. São expressamente proibidas as passagens de turistas para o lado nordeste do lago, soldados controlam todos os passos com as metralhadoras penduradas ao regaço. Dá a ideia que até a paz desta paisagem alpina é controlada por eles. Yaks povoam a paisagem, carregando pacientemente turistas indianos do sul. O pêlo abundante dá-lhes um ar de golden trevier gigantes. Talvez tenham assistido à origem do lago que, segundo as crenças budistas foi sobrenaturalmente trazido para aqui da região Laten.&lt;br /&gt;A descida até Gagtok ainda possibilita uma visita ao Enchey Monastery, mais um festival de cores, com os arredores de colégios construídos para abrigar centenas de garotos de cabeça rapada e sem qualquer expressão decifrável. É impressionante observar crianças que não demonstram sinal algum de curiosidade, apenas dedicados a estudar a natureza da alma e para quem o estado último será chegar à iluminação. Conseguirão? Em contrapartida, o interior do templo é um convite à infância, os cenários de natureza recriam lições religiosas com criaturas espampanantes, como se se tratasse de um convite a ler uma banda desenhada.&lt;br /&gt;Himalayan Zoological Park, é uma espécie de reserva natural onde se podem observar raros animais da fauna himalaia, tais como o panda vermelho, os lobos brancos, o leopardo das neves himalaias e ainda o urso negro himalaia. Como o panfleto-mapa que é distribuído à entrada avisa, “venha com muito tempo e paciência” é necessário esperar bastante para que os animais se coloquem em pontos visíveis para os visitantes, mas sobra o consolo de saber que terão uma vida aproximada do que seria o ideal selvagem.&lt;br /&gt;Falta visitar muitos outros locais interessantes, Rinchepong, por exemplo, local de onde se pode avistar os vários picos do Khangchendzonga (8586 metros de altitude), a terceira maior montanha do mundo com o amanhecer. Para pernoitar só há dois alojamentos à escolha. As varandas são bonitas, mas atraem borboletas gigantes, com cerca de 15 centímetros, de cor castanha e alaranjada que tentam entrar para o quarto.&lt;br /&gt;De manhã, com os primeiros raios de luz a paisagem aumenta até aos picos brancos em forma de muralha, a cordilheira deixa-se avistar por pouco tempo, mas vale a pena olhar, mesmo que poucos segundos, para tal espectáculo.&lt;br /&gt;A saída de Rinchepong não é fácil. Os costumeiros jipes-táxis já partiram todos às 6 horas da manhã. O dono de uma mercearia sabe que o cunhado vem entregar umas mercadorias, se houver perseverança em esperar talvez seja possível uma boleia. Quatro canecas de “Chai” depois (chá com leite e especiarias) chega a ansiada boleia que pode fazer o transporte até Yuksom. Pelo caminho avistam-se bandos de crianças com as suas mochilas, dirigem-se para a escola, os irmãos ou vizinhos de 6 anos, cuidam dos de 3 ou 4, fazem quatro ou cinco quilómetros por dia, sem qualquer sentimento de insegurança. A paisagem até Yuksom, no oeste de Sikkim é verdejante. Os trilhos são muito procurados por turistas caminhantes mas oferecem alguns perigos, nomeadamente as sanguessugas que costumam aparecer junto às zonas com lagos e conseguem trepar pelo corpo humano chupando o sangue que as deixarem. É o que acontece a um grupo de ingleses que começa por as arrancar com algum esforço e algumas gargalhadas, mas que pouco depois têm de correr ao hotel para se examinarem sem roupas e tentarem erradicar todas sem excepção, o que não é fácil devido à sua extrema resistência.&lt;br /&gt;A vida nestas montanhas e vales vai subindo e descendo, ao sabor da geografia acidentada. Um dos locais mais recônditos do mundo é também um orgulhoso reino que surpreende com as suas histórias e inventa novas entradas para os Himalaias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-3608727388240277765?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/3608727388240277765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/sikkim-em-troca-do-tibete.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3608727388240277765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3608727388240277765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/sikkim-em-troca-do-tibete.html' title='Sikkim em troca do Tibete'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamwTKqQr3I/AAAAAAAAADo/Iq8Zb5c5w7Q/s72-c/DSC00681.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-9134239002500936308</id><published>2009-02-27T10:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T13:12:17.996-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Peru'/><title type='text'>Peru - Os carregadores dos Andes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagvDLNQozI/AAAAAAAAABM/JN-2z8bvCjs/s1600-h/IMG_0645.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307543892450648882" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 300px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagvDLNQozI/AAAAAAAAABM/JN-2z8bvCjs/s400/IMG_0645.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quem opta por chegar a Machu Pichu através do caminho inca, num trekking de três dias, cede muitas vezes a passagem a homens que levam tudo às costas. Correm em vez de andarem e transportam cargas à primeira vista impossíveis de suportar. São os carregadores dos Andes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bruma aparece subitamente. Nada a fazia prever num céu descoberto e de um azul total até há cinco minutos atrás. Muito menos que as montanhas aqui em frente iam desaparecer do campo de visão.&lt;br /&gt;“Porter!!”- ouve-se gritar com força. É a palavra-passe que todos os turistas entendem e significa a obrigação de dar passagem a alguém que aí vem carregando o dobro da carga, caminhando ao dobro da velocidade. Carlos, Francisco, Sábio e Pepe são uma equipa de carregadores formada para levar a cabo mais um trekking nos Andes. As suas idades variam entre os 39 e os13 anos. São oito os estrangeiros que vão acompanhar desta vez, a maioria da Europa, uma mexicana e um chileno.&lt;br /&gt;Os quatro já caminham lestamente em fila indiana. Acabaram de amarrar tudo o que lhes incumbiram para o seguinte destino, e embora aquele grupo de turistas tenha saído com uma hora de avanço, cruzam-se neste momento. A um bom carregador não se exige só força para suportar o peso. Terá também de caminhar velozmente. O objectivo é que o próximo acampamento esteja montado quando se der a chegada deste grupo que agora lhes desimpede o trilho. As montanhas parecem maiores com o início da queda de chuva cinzenta, é miudinha, mas torna todo o caminho mais deslizante. É a primeira regra do alpinismo: é mais fácil subir que descer, e também aqui se aplica.&lt;br /&gt;Carlos Vasquez tem 20 anos, vive nos arredores de Cuzco, e depois da morte da mãe aos 15, deixou a escola para trabalhar.&lt;br /&gt;Há cinco anos que o seu quotidiano é feito de idas e vindas a Machu Pichu, chegando até lá perto com tudo o que lhe é requisitado transportar nas costas e mãos, e saindo em direcção a casa com o precioso, mas muito mais levem, punhado de soles, a moeda peruana. Soube deste trabalho através de um amigo que o avisou: “O trabalho é muito duro, mas chamam-te sempre.”Carlos tem uma família numerosa, quatro irmãs e um irmão, o seu pai trabalha no campo, lavrando a terra de outros, em troca de algum dinheiro que apenas alimenta a família, não a veste, não a acode se algum problema de saúde surgir, não paga os estudos dos cinco filhos ainda menores. Carlos chega a estar três meses sem ir a casa, trabalhando consecutivamente, na altura em que a afluência de turistas atinge o auge. Normalmente, depois de três dias de intenso trabalho, regressa das montanhas, dorme uma noite numa cama mole a que as suas costas chamam de ortopédica, e parte no dia seguinte, fazendo parte do “staff” de mais um “tour” composto por quatro ou cinco carregadores, um cozinheiro, um guia, e grupos entre os cinco e os 13 turistas.&lt;br /&gt;Carlos parece não dar pelo piso molhado, o início da descida dá-lhe fôlego para saltitar e estugar o passo, quanto mais cedo chegar, mais cedo pousa a carga e descansa.&lt;br /&gt;O seu rosto está marcado pelo frio, numas rosáceas que se tornam ainda mais visíveis com o esforço físico da última subida.&lt;br /&gt;A sua respiração é profunda e concentrada, parece controlar serenamente o pulmão. Não se observando os gémeos a tremer involuntariamente, seria imperceptível o cansaço.&lt;br /&gt;Quando se aproxima de Francisco, companheiro que leva aproximadamente menos dez quilos, embora tenha menos sete anos que Carlos, grita em quechua:&lt;br /&gt;“Já falta pouco para o nosso chá de coca”.&lt;br /&gt;Ventos e brisas imperceptíveis deslocam as nuvens de um lado para o outro, e a paisagem já de si imensa, torna-se inconstante, volátil, recria-se em cada momento.&lt;br /&gt;São os primeiros a chegar ao acampamento onde se volta a reunir todo o grupo, Francisco e Carlos são irmãos, e não só trabalham em conjunto, como o seu salário é para a mesma causa.&lt;br /&gt;Francisco senta-se num degrau, solta um suspiro de alívio, e tira uma alça de cada vez, com os braços magros muito lentos, como se não os sentisse muito bem. O irmão faz o mesmo, desenvencilhando-se da carga com menos cuidado, como se por um momento a odiasse, e a abandonasse convictamente para todo o sempre. Dobra-se para trás de olhos fechados, contorcendo os lábios e transparecendo assim uma coluna dorida. Depois de contrariar uns segundos aquela postura curvada que o acompanhou nas últimas quatro horas, foca a vista no infinito e, sem daí desviar o olhar, dá a ordem ao irmão: “Tira o fogão do saco, vou fazer chá.”&lt;br /&gt;“O Caminho Inca “, como lhe chamam, como se só um existisse, e não imensos, os quase incontáveis caminhos incas, que ligavam toda a América do Sul até ao coração do império, Cuzco, é uma das formas mais usadas para chegar a Machu Pichu. Só o comboio e uma linha férrea lindíssima, que serpenteia romanticamente uma infindável paisagem de montanhas verdes, leva maior número de pessoas. Esse percurso é quase claustrofóbico, ao início segue lado a lado com uma pequena corrente de água, passando de seguida a estar confinado à margem do Rio Urubamba e aos montes que o vigiam.&lt;br /&gt;A grande vantagem de fazer o caminho inca, o que implica três dias a caminhar por altitudes que chegam aos 4200 metros, (e as mesmas noites a acampar sob o som e contacto da chuva, além de todo um passeio andino fascinante), é a visão de 30 minutos ou menos às 6 horas da manhã. Nessa altura, com o amanhecer, o santuário arqueológico permanece intocável por humanos, uma cidade só habitada por memórias, aves de grande porte e lamas.&lt;br /&gt;Esta visão é possível da “Puerta del Sol”(Intipunku), e para os amantes das coisas como elas eram, constitui, sem dúvida, a única forma de contemplar Machu Pichu - o sítio mais visitado da América do Sul - sem as costumeiras centenas de turistas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-9134239002500936308?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/9134239002500936308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/peru-os-carregadores-dos-andes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/9134239002500936308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/9134239002500936308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/peru-os-carregadores-dos-andes.html' title='Peru - Os carregadores dos Andes'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagvDLNQozI/AAAAAAAAABM/JN-2z8bvCjs/s72-c/IMG_0645.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-3831904291035230743</id><published>2009-02-27T10:10:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T13:18:44.402-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Peru'/><title type='text'>Ganhar a vida a subir montanhas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamqCE13G7I/AAAAAAAAADA/fUgkypitEFE/s1600-h/trekking+base+camp+084.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamqCE13G7I/AAAAAAAAADA/fUgkypitEFE/s400/trekking+base+camp+084.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307960588468951986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sagt6d8sTlI/AAAAAAAAABE/JGGmL69L1nE/s1600-h/IMG_0696.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307542643350982226" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 240px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sagt6d8sTlI/AAAAAAAAABE/JGGmL69L1nE/s320/IMG_0696.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Este é um povo que sempre viveu nos rigores da altitude, dos climas definidos e incontornáveis.&lt;br /&gt;É assim nos Andes, nos Himalaias, no Atlas, e em todas as grandes cadeias montanhosas. Pessoas com uma capacidade de trabalho impressionante. Viajando de autocarro pelo Peru, é frequente encontrar-se casais de pessoas já idosas, acompanhados pelas suas enxadas, catanas, e grandes sacos de sementes, descendo nos sítios mais improváveis, campos no meio de montanhas sem horizonte de área habitada num raio inarrável, e ali passam o dia, quem sabe a noite, talvez semanas, até voltarem a casa com esperança de que este ano haja uma boa colheita “por altura do Domingo de Ramos”.&lt;br /&gt;Os carregadores são desta “raça”, homens e adolescentes para quem a montanha significa os únicos horizontes possíveis, a fonte de subsistência, o retiro espiritual, o sacrifício diário.&lt;br /&gt;No Peru a maior parte da população do interior vive da agricultura. O turismo em ascensão que despoletou nos últimos anos uma economia quase paralela, alicia estes homens para o dinheiro “fácil”. Mas de “fácil” não tem nada.&lt;br /&gt;Numa zona dos Andes em que as montanhas se sobrepõem umas às outras a civilização Inca ousou calcetar vias, construir povoações, cidades. Mas a maioria dos caminhos são intransitáveis, só pernas comandadas por cérebros atentos podem ali circular, nem mulas de carga desafiam os empinados degraus escaladores das alturas, que à primeira vista parecem mais socalcos que escadas.&lt;br /&gt;O trabalho dos carregadores é levar cargas a rondar os 40 quilos, embora possam ser mais, se conseguirem, ou menos, tudo equilibrado e medido por quem os contrata, numa análise que tem em conta o que conseguem suportar de peso e a velocidade que conseguem caminhar com essa carga.&lt;br /&gt;Os incas tinham um conceito cíclico de História. Em cada nova mudança de poder a que chamavam “pachakuti” (numa tradução bastante literal – viragem no tempo e no espaço) reescreviam o passado.&lt;br /&gt;Nesse aspecto, nada mudou então, tudo se reescreve, a mobilidade das pessoas e dos seus pertences continua a realizar-se como há 500 anos atrás, nas costas curvadas dos carregadores.&lt;br /&gt;Na verdade, embora o nome os honre, não é o mais justo, pois estes homens além de levarem todo um acampamento ás costas (que inclui tendas, bancos desmontáveis, uma tenda maior que serve de sala para refeições e espaço de convívio, toda a comida e a loiça), montam tudo isto e fazem trabalho de garçons. É todo um papel que cumprem em silêncio e com descrição.&lt;br /&gt;Lá em cima já se avistam novas nuvens que chegam em colunas horizontais tornando a paisagem menos ampla, mas sem dúvida mais mística, e por entre elas, os outros dois carregadores que trazem as maiores cargas, descendo aos saltinhos, mais seguros das suas forças do que a sua aparência magra sugere. Quando chegam à zona de acampamento já o chá de coca, conhecido pelas propriedades benéficas aos sintomas da altitude, está pronto.&lt;br /&gt;Juntam-se os quatro, e apenas se ouvem respirações aceleradas. Os copos são distribuídos por todos, o silêncio e esgotamento são dispersados pelo vapor que sai do chá acabado de ferver.&lt;br /&gt;Alguém passa e cumprimenta Carlos com um gesto de cabeça.&lt;br /&gt;Este sorri com doçura, sopra ligeiramente para afastar as folhas que flutuam à superfície do copo de plástico. Sorve um pouco.&lt;br /&gt;A infusão termina num instante, é altura de continuar o trabalho. Agora é necessário montar as tendas, incluindo a do cozinheiro que está prestes a chegar e pouco depois começará a confeccionar o almoço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-3831904291035230743?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/3831904291035230743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/ganhar-vida-subir-montanhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3831904291035230743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/3831904291035230743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/ganhar-vida-subir-montanhas.html' title='Ganhar a vida a subir montanhas'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamqCE13G7I/AAAAAAAAADA/fUgkypitEFE/s72-c/trekking+base+camp+084.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-105658917178988967</id><published>2009-02-27T09:58:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T10:08:45.360-08:00</updated><title type='text'>Peru - Espírito semi-indígena</title><content type='html'>Sábio Lopez é o primeiro a levantar-se, tem 39 anos e quem mais experiência como carregador. Desde os seus vinte que percorre estes trilhos: “Já vi mais europeus, norte americanos ou australianos, do que peruanos ou sul-americanos. Mas conhecer, conhecer, falar com as pessoas e elas comigo, lembro-me de cinco ou seis.” Afirma desatando os atilhos da sua carga, todos enrodilhados à volta de um oleado que abriga todo o amontoado de coisas que ali são trazidas. Ao volume que cabe a cada um, improvisam-se umas alças daquele material também, que o liga ás costas, embora de uma forma totalmente precária, suportando exclusivamente o esforço nos ombros. O facto de Sábio não ter convivido com muita gente de outros continentes, explica-se sobretudo pelo seu castelhano ser quase inexistente, não saber escrever uma palavra e não falar nenhum outro idioma a não ser a sua língua, o quechua: “Nunca fui à escola, mas não saber ler ou escrever não me impediram de ganhar a vida”. É como interpreta o seu analfabetismo.&lt;br /&gt;Não fala da família, dá a entender que não há muito para dizer. Aliás, é necessário arrancar-lhe as palavras independentemente do assunto, exprime-se com voz branda, impessoal, com a qual não acompanha nenhum gesto ou olhar. Essa timidez ou desconfiança acentua-lhe os traços indígenas:”O vento está a rodar para sul, temos de despachar-nos: vai chover.”Afirma, absorto no desenvencilhar de tantos cordéis. Dá duas  ou três ordens que explicam onde devem ser montadas as tendas para os estrangeiros dormirem. E começa a falar muito rapidamente em quechua, provavelmente assuntos que só dizem respeito aos autóctones. Passam alguns momentos, e o acampamento está montado, com a rapidez de uma distracção.&lt;br /&gt;Pepe é o mais conversador e destaca-se dos outros devido à sua postura mais aristocrata que a comum simplicidade peruana costuma permitir. Nasceu nos arredores de Lima (Huatocay), numa aldeia rural que já nem sabe se existe. Tem vinte e oito anos, um castelhano perfeito, e um enorme interesse pela cultura do seu país. É filho de um peruano de classe média, viveu até aos dezanove na propriedade da família, onde trabalhava sobretudo a tratar do gado, a quinta com os animais mais valiosos da região, explica. Não lhe desagradava a vida que tinha até então, a casa tinha uma biblioteca considerável e entretinha-se quando podia com os livros que o desfiavam a conhecer mais do seu mundo:”Quero satisfazer a minha curiosidade até às últimas consequências”, foi a frase que escreveu na carta de despedida ao seu pai. “ Os meus dias na quinta resumiam-se a ordenhar cabras e a vigiar todo o rebanho para os defender dos frequentes ataques de pumas. Até que um dia um puma deu cabo de mais cabeças  do que era normal, quase todas, e foi necessário ganhar dinheiro para voltar a comprá-las”. Explica Pepe tranquilamente no seu castelhano fluido. “Na altura decidi vir até aqui, se garantisse trabalho para umas semanas, podia conseguir dinheiro para comprar umas quantas. Na verdade era uma desculpa para conseguir sair de Huatocay. Não sabia que o trabalho ia ser tão duro, nem que este sítio fosse tão bonito”, exclama com os profundos olhos negros muito abertos. “Quando juntei o dinheiro necessário enviei-o ao meu pai. Eu fui ficando, até que um dia tenha outra vez vontade de matar pumas”.&lt;br /&gt;Entretanto já tem esposa em Cuzco e trabalhava como ajudante de mecânico numa oficina. Há pouco tempo ficou desempregado e voltou às montanhas.”Sinto me tão capaz como antes, mas neste momento já só estou aqui porque tem de ser, uma necessidade urgente de dinheiro.” Os problemas económicos roubam-lhe o sorriso mas não a vontade de falar. O seu interesse reside sobretudo em Machu Pichu e nas civilizações andinas: “Os incas não possuíam sistema de escrita e por isso não deixavam testemunhos escritos. O melhor testemunho retira-se do solo, é como se os túmulos não guardassem pessoas mortas, mas sim livros de história, o registo dos costumes, e claro, as tradições religiosas”, diz num tom monocórdico mas seguro, ao mesmo tempo que ecoam gritos de águias que subitamente  apareceram em bando a alguns metros de altura. Denota-se evidentemente uma cultura geral acima da média. Fala de tudo num tom muito baixo, como se contasse um segredo, ou abordasse algum tema proibido. Conta que a partir de Cuzco, as estradas dirigiam-se para Norte, Sul, Este, Oeste, as quatro principais divisões administrativas do império. Também da capital partiam mais de 40 caminhos que ligavam a cidade a aproximadamente 3000 huacas  (locais sagrados) como montanhas, pedregulhos e nascentes. Não perde a oportunidade para referir que a primeira vez que chegou a Machu Pichu sentiu uma estranha familiaridade, e o arrepio que sentiu lhe revelou que era aqui perto que deveria ficar. “ Já há muito tempo programava esta visita, mas queria ali estar sem estranhos e ruídos de máquinas fotográficas digitais.” E mudando a expressão não explica como o conseguiu. Exibe um sorriso malandro, como se a sua esperteza fosse o seu trunfo, o seu triunfo. “ E ninguém imagina o que é estar lá sozinho, há coisas que só o espírito semi-indígena do sul-americano entende ”. Os olhos rasgados sorriem também.&lt;br /&gt;As tendas já estão montadas e o almoço quase pronto. Passou uma hora e meia desde que acabaram de beber o chá de coca, até que chegassem os primeiros elementos mais adiantados do grupo. Uma cascata com cerca de 700 metros, cai desde lá de cima, percorrendo toda aquela altura, e impondo o seu som ininterruptamente. O caminho inca continua em frente, escalando toda a larga vista de montanha que o horizonte consegue proporcionar, até desaparecer na curva que contorna a subida. Dependendo dos humores meteorológicos, podem-se avistar ou não, as ruínas de uma casa sacerdotal inca, onde outrora se realizavam sacrifícios de virgens à “Pachamama” (Mãe-Natureza).&lt;br /&gt;Depois do almoço todos descansam e chega a hora de jantar.&lt;br /&gt; A noite cai entretanto e um novo dia de trabalho amanhece. Os turistas são acordados com ligeiras pancadas na tenda e o aviso: “Maté! Coca! Maté!” Pepe e Carlos servem chávenas de chá aos estremunhados. Este chá toma-se constantemente. Começar o dia com ele é uma das melhores formas de preparar o sistema respiratório para mais um dia de altitude. O pequeno-almoço é servido e pouco depois o grupo segue caminho. Para trás ficam os carregadores que atarefadamente embalam tudo novamente. A partir do momento em que ficam sozinhos na zona de acampamento, soou o disparo da pistola que dita o início de uma nova corrida. Sábio retira um saco de plástico do bolso. Contém as folhas de coca suficientes para o caminho. Os peruanos das montanhas (e os bolivianos também, únicos dois países onde consumir estas folhas é legal) utilizam muito este meio para ajudar a respiração. Muitos turistas também o fazem, mas não com a mesma convicção. Existe também uma substância negra que acrescentam à bola de coca que formam na boca e que, segundo eles, potencia os seus efeitos. Pepe explica melhor:” O efeito das folhas de coca é pura e simplesmente dar uma maior capacidade ao nariz e aos pulmões de inspirar mais e melhor. E como respiramos melhor, o cérebro está mais oxigenado, o ânimo mais forte, e a sensação de bem-estar pode ser mais generalizada.” Os dentes tornam-se verdes, enquanto os grandes volumes são colocados às costas. O primeiro quilómetro de caminho é uma subida longa até às tais ruínas da casa sacerdotal. O passo partiu desde logo acelerado, os olhos apenas fixam o chão. Quando chegam ao ponto cimeiro da montanha, o grupo de turistas está entretido com as explicações do guia, ou contemplando a paisagem, e ninguém se apercebe da passagem dos carregadores. Eles seguem caminho, com as pernas automatizadas, escondidos nos barretes que lembram os gorros dos pescadores, apoiados nos seus pés extremamente mal tratados, sujos, com unhas demasiado escuras sugerindo pouco tempo de vida. Todos calçam umas sandálias que à partida não inspiram confiança como instrumento fulcral para o montanhismo. São de material sintético, com duas tiras cruzadas na parte dianteira e assim se ligam aos pés.&lt;br /&gt;Neste dia, a caminhada é menos cansativa, há menos alimentos a carregar.&lt;br /&gt;As costas de Machu Pichu aproximam-se. Pepe inicia o seu já conhecido reportório de conhecimentos sobre a cidade inca, ao mesmo tempo que os companheiros aproveitam para demonstrarem claramente que já ouviram esses relatos vezes sem conta. Todos arranjam uma forma de se escaparem ás suas lições de história. Só Francisco, o mais novo do grupo, demonstra algum interesse, mas mesmo assim, pouco tempo. De facto, muita coisa há a dizer deste sítio. Foi edificado sobre um cerro, abarcando uma extensão de dois quilómetros de perímetro a 2800 metros sobre o nível do mar e a 400 sobre o caudaloso Rio Urubamba. Até hoje, ninguém sabe ao certo o significado arqueológico de tão majestosa cidade de pedra, toda construída em escadas, com quase todas as construções em níveis diferentes, com capacidade para resistir ás provações climáticas, e que, como cidade inteira, só perdeu os tectos de colmo.&lt;br /&gt;É de calcular que a defesa não fosse difícil, uma vez que dois dos seus lados são formados por ladeiras quase a pique, o terceiro é uma garganta apertada, por onde passam caminhos, mas facilmente vigiáveis, e o quarto, é um pico que se eleva a 200 metros sobre um outro cerro. Daqui, Huainca-Pichu, lá de cima, tem-se Machu Pichu, já de si alta, aos pés.&lt;br /&gt;Hoje, apenas os caminhantes mais arrojados e um sem número de borboletas de múltiplas cores por ali andam. Mas sobretudo a paisagem é arqueologicamente impressionante, aliada à beleza intrínseca desta parte dos Andes, revestidos por inspirações tropicais através de uma floresta semi-humida.&lt;br /&gt;Amanhã, um novo grupo de turistas chegará ali, acompanhado do seu guia. Os carregadores, esses, depois de servirem o último pequeno-almoço, seguem mais leves rumo às suas vidas anónimas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-105658917178988967?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/105658917178988967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/peru-espirito-semi-indigena.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/105658917178988967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/105658917178988967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/peru-espirito-semi-indigena.html' title='Peru - Espírito semi-indígena'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-4445021681434294912</id><published>2009-02-27T09:47:00.001-08:00</published><updated>2009-02-28T13:27:40.917-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Andes - Os Guardadores da montanha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamsRhjDMcI/AAAAAAAAADQ/5_uAX0hdNI4/s1600-h/IMG_2162.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamsRhjDMcI/AAAAAAAAADQ/5_uAX0hdNI4/s400/IMG_2162.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307963052895973826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagoJvMOLhI/AAAAAAAAAA8/6JGpwPLvisc/s1600-h/Altos+del+Vilcray+006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307536308607790610" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 240px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagoJvMOLhI/AAAAAAAAAA8/6JGpwPLvisc/s320/Altos+del+Vilcray+006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os parques naturais do Chile são a porta de entrada para a magia dos Andes. Para aceder à cordilheira, é preciso conhecer dois homens que dão as boas-vindas e as coordenadas a quem se propõe a explorar tais caminhos. Clement Lauffret, 60 anos, e Victor Marquez, 19, são os guardas florestais dos parques naturais de Altos del Vilcray e Torres del Paine, respectivamente. Versões distintas da mesma militância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na sua secretária de madeira de carvalho, D. Clement Lauffret, não desvia a atenção dos milímetros específicos que observa no mapa. É o Parque Nacional Altos del Vilcray que D. Clement administra há 12 anos e onde vive permanentemente. Situa-se no centro do Chile, paredes-meias com o mais conhecido Parque Nacional de Las Siete Tazas, uma estrutura geológica de granito por onde a água cai em cascatas, “de taça em taça”. Siete Tazas e Altos del Vilcray partilham a linha da cordilheira dos Andes que os atravessa e a intensa fauna que percorre todo aquele espaço em movimentos migratórios buscando comida e local apropriado à nidificação.&lt;br /&gt;D. Clement, um espírito indigente de 60 anos com vigor de 30, é o decano dos guardas florestais de Altos del Vilcray, território que lhe corre nas veias. Como o casal de australianos que agora chegaram à cabana todos os turistas caminhantes que queiram visitar o parque, terão de anotar o seu nome no registo de entradas e saídas, bem como informarem-se dos pormenores mais importantes das condições para visita e pernoita. Este casal chegou com intenções de fazer um suposto trilho que liga as duas reservas ecológicas, acampando pelo caminho. D. Clement é obrigado a explicar que esse caminho ainda não está marcado e sinalizado, ou seja, os próprios guardas-florestais ainda não conseguem fazer esse percurso com a total segurança de não perderem o trilho, pouco mais que uma linha apenas traçada pela bússola .&lt;br /&gt;Explica-lhes que há pouco mais de um mês, saiu um grupo destes funcionários, para reconhecerem terrenos ainda mal explorados dentro do perímetro do Parque.&lt;br /&gt;Passados os cinco dias de expedição, quando D.Clement os esperava, não apareceram, e foi necessário recorrer a tecnologia de GPS para os localizar.&lt;br /&gt;D. Clement acentua, baixando um pouco os óculos sobre o nariz: “E pessoas desaparecidas para sempre é uma história demasiado bem conhecida por nós neste Parque…” Volta a colocar os seus óculos bem graduados em frente aos olhos. Faz uma pausa e esboça um sorriso sem mensagem.&lt;br /&gt;Os turistas não chegam a perceber se é verdade ou simplesmente exagero esta última informação. Pelo sim, pelo não, decidem não correr o risco e questionam sobre um itinerário alternativo.&lt;br /&gt;Os Parques Naturais no Chile têm dinâmicas muito próprias, assemelhando-se a ilhas, com cultura e regras bem distintas do resto do território. As informações que os turistas recebem na cidade muitas vezes não coincidem com a realidade. Especialmente aqui, numa reserva enorme e com paisagens deslumbrantes, mas sem grande ou nenhum investimento na sua divulgação. Dentro dos limites territoriais de Altos del Vilcray encontra-se uma comunidade considerável de raposas, pumas e tarântulas. Percorrer trilhos não sinalizados é capaz de ser má ideia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-4445021681434294912?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/4445021681434294912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/andes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/4445021681434294912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/4445021681434294912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/andes.html' title='Andes - Os Guardadores da montanha'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SamsRhjDMcI/AAAAAAAAADQ/5_uAX0hdNI4/s72-c/IMG_2162.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-2965984612754413403</id><published>2009-02-27T09:38:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T09:55:46.090-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Andes - Montanhas e cordilheiras para contar</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagmeAHlJjI/AAAAAAAAAA0/SZY3bXQG6vo/s1600-h/Torr+delPaine+021.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307534457725855282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagmeAHlJjI/AAAAAAAAAA0/SZY3bXQG6vo/s320/Torr+delPaine+021.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;D. Clement repete várias vezes que refastelar-se numa poltrona na sua idade é um perigo, usando a recorrente ironia que lhe dá um traço misterioso. Trocou a família pelas montanhas há cerca de 20 anos, quando se tornou funcionário da CONAF, o organismo que gere as reservas ecológicas do Chile. A sua relação com a montanha é porém muito mais antiga. Depois de ter subido e escalado todas as montanhas do Chile, Peru, Bolívia, Argentina - navegando de Norte a sul pela cordilheira dos Andes - rumou à Europa.&lt;br /&gt;Não satisfeito com os Alpes, fez duas viagens ao Nepal. Uma foto de um pico gelado de 8000 metros do Maciço de Annapurna, nos Himalaias, ocupa lugar de destaque na sua sala, precisamente sobre o umbral da lareira. Mas há outras, uma foto a preto e branco nas montanhas de Bariloche (Argentina, Patagónia-norte), como um sorriso de criança e satisfação.&lt;br /&gt;Outra enquadra-o numa paisagem do Monte Branco, com um rosto a dar as boas-vindas às primeiras rugas e um olhar mais longínquo. As estantes que existem estão cravejadas de livros sobre montanhismo, alpinismo, parques naturais, exploradores dos picos mais arrojados do mundo. Mas também várias obras sobre as culturas que ali viveram, sobretudo as culturas Maia, Asteca e Inca, na América do Sul.&lt;br /&gt;“ Não vamos perceber nada destas montanhas se não compreendermos que tipo de pessoas entenderam ser ali o seu lugar. É como se a montanha fosse o núcleo do polvo, e os habitantes os seus tentáculos”, afirma D. Clement. Mas a seu interesse e sabedoria também se alargam a outras civilizações. E não só por curiosidade. “Quando se iniciou a construção da cabana onde moro, fiz um levantamento sobre o solo e área circundante. Descobri primeiro que havia vestígios da tribo “ayamara”, que incluía um cemitério indígena. Foi precisamente no local do cemitério que entenderam que seria o melhor local para a construção da cabana e, contra as minhas ordens, aqui foi construída.”&lt;br /&gt;Põe as mãos atrás das costas e vira-se para a lareira acesa, debruça-se para aquecer as mãos. Lá fora ouve-se o riacho e o relinchar súbito dos dois cavalos. Além destes, tem apenas a companhia de dois “zorros”, uma espécie de raposas que vêm todos os dias comer junto ao seu portão. “Por isso, tenho tão poucas visitas. É que ao contrário das aparências, não estou sozinho”, e ri-se dirigindo-se para a cozinha com o intuito de apagar o chá que já ferve.&lt;br /&gt;Quando volta, continua a abordar o assunto: “Por volta de 1890, uma grosseira versão da teoria de Darwin, parecia encorajar a caça aos índios, com base num dos princípios capitais: a sobrevivência dos mais bem adaptados. Os europeus tinham certamente uma superioridade física sobre os nativos, mas apenas distinguível pelas cartucheiras de balas que traziam. Os nativos, diga-se de passagem, eram de longe os mais aptos, e hoje, nem o repouso dos seus corpos conseguimos respeitar.”&lt;br /&gt;A influência da montanha é visível no seu carácter, denota-se a cada gesto, na maneira pausada como explica os percursos, nos passos decididos que o levam a cumprir as suas tarefas, no olhar trémulo com que procura no céu uma previsão do tempo. A cabana é muito bonita, dentro da simplicidade que é característica num albergue de montanha, este, até proporciona um espaço bastante acolhedor e cómodo. Bem mobilada, com quarto de visitas, que acaba por ser quase exclusivamente o quarto do rádio-amador.&lt;br /&gt;D. Clement é apaixonado pela solidão da montanha, mas de eremita tem muito pouco.&lt;br /&gt;Está ligado à humanidade com um rádio-amador, com quem comunica para todo o mundo, mais 3 telemóveis, internet, televisão e foguetes de sinalização, os únicos eficazes por vezes, nos 3 meses de Inverno rigoroso que o isolam.&lt;br /&gt;Os mantimentos são guardados num baú gigante que faz lembrar uma arca de Noé. São trazidos de carro uma vez por mês e ali guardados até que seja hora de os repor. Nos meses de Inverno, a arca fica completamente cheia, é previsto ter capacidade para provisões de 90 dias.&lt;br /&gt;“Quando me farto de torradas, começo a fazer pão, mas normalmente isso só acontece nos últimos dias, não perco muito tempo a tentar ter sucesso com as lides domésticas”, explica D. Clement. A farda verde-tropa dá-lhe um ar mais jovem do que tem. “É como a ilusão de me fartar de estar aqui…quando vou de férias, dez a 15 dias para outro lado, só penso em voltar.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-2965984612754413403?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/2965984612754413403/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/montanhas-e-cordilheiras-para-contar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/2965984612754413403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/2965984612754413403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/montanhas-e-cordilheiras-para-contar.html' title='Andes - Montanhas e cordilheiras para contar'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagmeAHlJjI/AAAAAAAAAA0/SZY3bXQG6vo/s72-c/Torr+delPaine+021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3192317143223122351.post-1264257474924350730</id><published>2009-02-27T08:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T09:56:14.179-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Andes - Torres del Paine, na ponta sul da cordilheira</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagUtXn9pZI/AAAAAAAAAAk/Q26Br9oOWuM/s1600-h/Torr+delPaine+024.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307514930524431762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 315px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagUtXn9pZI/AAAAAAAAAAk/Q26Br9oOWuM/s320/Torr+delPaine+024.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A muitos quilómetros dali, não longe da Isla Grande de Tierra del Fuego, o sítio mais a sul do continente, Victor Marquez prepara um café. O pó é retirado de uma embalagem que originalmente foi de chocolate quente, mas este guarda-florestal preveniu-se contra as suas próprias distracções e colou-lhe uma tosca etiqueta com o nome do conteúdo actual. Tudo é demasiado precioso para ser desperdiçado, uma vez que, para estarem ali, foram carregados às costas durante algumas horas, portanto os mantimentos ali existentes são os imprescindíveis.&lt;br /&gt;Victor tem 19 anos, pouca paciência para a escola ou uma imensa paixão pelas duas facetas opostas daquele parque e daqueles montes: o convívio e a solidão. Nasceu em Punta Arenas onde reside nos seus cinco dias de folga, que acontecem a cada 12 dias de trabalho.&lt;br /&gt;Punta Arenas é a maior cidade do extremo sul chileno, e fica a 3 horas de autocarro de Puerto Natales, a cidade mais próxima do Parque Nacional Torres del Paine, um dos parques naturais mais conhecidos do Chile, quiçá de toda a Patagónia.&lt;br /&gt;A cidade em si, além dos apelativos “tours”, pouca cor tem. É um aglomerado de casas, em quadras, o que forma um xadrez perfeito de ruas compridas para quem a veja de cima, e óbvio, sempre à espreita de uma qualquer maravilha natural, um lago, um rio, umas montanhas, um vulcão.&lt;br /&gt;Neste caso, Puerto Natales fixou-se na Península de António Varas, o início de mais um dos milhares de desmembramentos de terra de que todo o sul do Chile é desenhado, a conhecida e improvável paisagem de fiordes. Da ilha de Chiloé para sul parece que o território se fragmenta, milhares de ilhas e canais pouco navegáveis.&lt;br /&gt;De Puerto Natales à entrada de Torres del Paine, ainda é necessária uma viagem de duas horas de autocarro. E da entrada do parque até ao posto que Victor ocupa nesta altura do ano, um dos vários acampamentos para os visitantes, “o acampamento chileno”, serão, num ritmo acelerado, mais umas três horas de caminhada. Por isso, “quando volta a casa”, nas palavras de Victor, ou seja, quando viaja de Punta Arenas para “o acampamento chileno”, nunca serão menos que oito horas de caminho, quilómetros de árvores dobradas pelo vento.&lt;br /&gt;“ O vento é um instrumento de limpeza.” começa Victor quando interrogado sobre o porquê da sua paixão por este parque. “O vento da Patagónia lembra-nos todos os dias que é rei e senhor destas paragens, e que se habitamos a sua inóspita casa é porque sabe dos seus próprios poderes terapêuticos para os humanos.”&lt;br /&gt;Do alto dos seus experientes 19 anos, Victor recebe mais um grupo de turistas caminhantes que chegam para visitar as Torres. São três, altas, bonitas, imponentes, com estrias de cima a baixo, um produto soberbo da erosão. Nascem de um conjunto gigante de rochas e elevam-se verticalmente no céu, desafiando nuvens e condores. Na base de tudo isto, uma lagoa verde-esmeralda, onde o vento brinca na água, fazendo remoinhos tremendos, ao ponto de rodopiar por segundos no ar.&lt;br /&gt;Marquez dá as boas-vindas aos recém-chegados e em cinco minutos elucida-os sobre as regras básicas de convivência com a natureza e com os outros. Depois deixa-os à vontade, e volta para a sua barraca, o frio acentuou-se com o chegar da noite, é necessário atirar mais madeira para dentro do fogão a lenha que mantém acesa desde que se levanta até que todo o acampamento esteja em repouso, entregue aos mochos e à chuva miudinha.&lt;br /&gt;Com a cara ruborizada pelo fogo que aviva no seu fogão, Victor diz brincando, como quem ainda não se sente confortável de dizer coisas sérias com um ar sério: “O vento penetra nas pessoas, limpando-as, aliviando-as dos seus stresses e preocupações que carregam, tão ou mais pesadas que as mochilas imprescindíveis ao trekking que se propõem.”&lt;br /&gt;Victor ri ao dizê-lo, mas os seus lábios e os seus olhos contorcem-se com a dor do calor que sai do fogão, dando-lhe uma aparência de mago incorpóreo, com uma expressividade de muitos mais anos do que os que a vida lhe deu até agora. De solidão não se queixa, desde que lhe foi atribuída a responsabilidade do “acampamento chileno”, que antecipa a subida até ás Torres, convive com pessoas de todas as nacionalidades do mundo.&lt;br /&gt;“Faz uma semana que estive a falar com uma senhora tibetana. Refugiou-se em Inglaterra há dez anos, conheceu um senhor inglês com quem se casou e teve 3 filhos.&lt;br /&gt;Visitavam o parque com 2 dos filhos mais velhos”, ilustra Victor. Além disso, este acampamento está à distância de uma hora de um abrigo de escaladores, um dos mais importantes de toda a América do Sul.&lt;br /&gt;Escalar as Torres del Paine é visto como um dos pontos culminantes da vida de escalador experiente. Victor é o ponto de contacto entre esse acampamento e a administração do parque, uma vez que só a sua cabana está equipada com rádio intercomunicador. “Nesse acampamento vive-se um ambiente muito especial”, relata Victor, “chego a encontrar pessoas que vieram do outro lado do mundo e que têm de esperar duas ou três semanas (ás vezes mais) até encontrarem as condições meteorológicas perfeitas para escalar tamanha extensão de rocha.”&lt;br /&gt;“Todos se divertem e dialogam, mas no fundo existe uma atmosfera de concentração e expectativa naquela gente, que escapa à compreensão de nós humanos”, acrescenta com uma gargalhada no final dos seus olhos circunspectos. Victor explica que um dos maiores prazeres do seu trabalho é observar a reacção das pessoas quando confrontadas com as Torres.&lt;br /&gt;A natureza nem sempre permite observá-las, como se só um grupo restrito as pudesse alcançar realmente, uma vez que, quando um manto espesso de nuvens cobre as Torres, é preciso tocar-lhes para poder acreditar que está ali um dos espectáculos mais visitados de toda a América do Sul.&lt;br /&gt;A expressão de encantamento é uma constante em todo o percurso, um conhecido W, que percorre as Torres, os “Cuernos”, e o “Glaciar Grey”.&lt;br /&gt;As paisagens são todas condimentadas com a intensidade da Patagónia, vivificadas pelo vento, montanhas com forma de Cornos, glaciares que se vão derretendo para um lago cintilante azul-turquesa, originando pedaços de gelo de todas as formas, que ao navegarem ao sol produzem, no mínimo, uma sensação de surrealidade.&lt;br /&gt;Não é difícil de entender portanto o orgulho que os funcionários do Parque têm no ofício. Mas Victor tem planos, quer ser biólogo, por agora está só a ganhar dinheiro no que lhe dá prazer trabalhar. Não sabe quando irá, só sabe que vai. “Voltarei sempre aqui, mas depois de vir de muitos outros lados”, afirma. “E o mais engraçado é que já sei que vou viajar por todo o Chile, se puder outros países da América do Sul, para descobrir o que já sei…que este é um dos sítios mais bonitos do mundo.”&lt;br /&gt;O olhar vivo esconde-se atrás do boné da farda que usa. Risca mais um dia que passou no calendário de trabalho e verifica que faltam dois para voltar a Punta Arenas. Retira o pão quente acabado de fazer e barra-lhe manteiga. Condores sobrevoam a região, e há um silêncio no ar que aguarda a expectativa da desordem de uma nova vaga de vento, que agitará o sono dos que já dormem. A noite cai em vários parques do Chile. Os guardas florestais abrigam-se esperando o dia seguinte de trabalho e auto-superação.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3192317143223122351-1264257474924350730?l=omundoleseaviajar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/feeds/1264257474924350730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/torres-del-paine-na-ponta-sul-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1264257474924350730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3192317143223122351/posts/default/1264257474924350730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundoleseaviajar.blogspot.com/2009/02/torres-del-paine-na-ponta-sul-da.html' title='Andes - Torres del Paine, na ponta sul da cordilheira'/><author><name>Raquel Ochoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05191113062037300745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/Sasw9j0JzaI/AAAAAAAAALk/oxuOER-BlYI/S220/IMG_2065.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_an1aG6Kq1lg/SagUtXn9pZI/AAAAAAAAAAk/Q26Br9oOWuM/s72-c/Torr+delPaine+024.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
